Deputadas querem mais poder de decisão na Assembleia

Em minoria, elas tentam garantir cadeiras em comissões onde, de fato, se passam as articulações

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Mobilizadas. 
Com sete mulheres atualmente, bancada feminina na Assembleia de Minas já foi maior com 11 parlamentares, em 2003
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Mobilizadas. Com sete mulheres atualmente, bancada feminina na Assembleia de Minas já foi maior com 11 parlamentares, em 2003

Elas são minoria. Sete em 77. Têm trajetórias distintas, mas traçaram um objetivo comum: ampliar o poder das mulheres nas decisões da Assembleia de Minas. A bancada feminina que tomou posse na última semana traçou os dois primeiros feitos inéditos que pretendem alcançar. O primeiro é a criação da Comissão Especial de Reforma Política e Participação da Mulher, o outro, a aprovação da Proposta de Emenda a Constituição (PEC) que reserva uma vaga para deputada na Mesa Diretora da Casa.

Determinadas, elas garantem não temer à resistência dos colegas que, a julgar pelo histórico de participação delas na Assembleia, é real e latente. Entre as sete parlamentares desse mandato, apenas duas já ocuparam uma cadeira na Casa – Rosângela Reis (PROS) está no terceiro mandato e Marília Campos (PT) ocupou um gabinete por um ano antes de assumir a prefeitura de Contagem, em 2004. O grupo, no entanto, não chega a ser inexperiente. As outras cinco chegam com alguma bagagem já que todas são parentes de políticos. Ciente de que estão em um universo predominantemente masculino, elas apostam na união para impor pautas de interesse das mulheres. Antes mesmo da posse, já se encontravam para discutir uma agenda em comum. Estar na Mesa, que concentra o poder do plenário, é prioridade, garantem elas. Na antiga legislatura, um projeto de resolução com o mesmo objetivo chegou a tramitar, mas não avançou. Para Rosângela Reis, “faltou vontade política”. Nos três primeiros dias de mandato, elas conseguiram 40 assinaturas para protocolar o mesmo texto em forma de PEC. “Se foi da boca para fora ou se os colegas apoiam mesmo veremos na votação”, diz, desconfiada. Marília Campos analisa que nos demais postos de articulação, como lideranças e presidência de comissões, também é nítida a diferenciação entre eles e elas. “Não ocupamos espaços onde, de fato, se tomam as decisões. Isso materializa a desigualdade”, afirma a petista. Cristina Corrêa, também do PT e irmã do secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Miguel Corrêa (PT), prevê que o caminho será longo. “Queremos presidências de comissões. A resistência em relação à mulher é uma realidade”, diz a professora, agora afastada das salas de aula. “Sabemos que não será uma mudança de um dia para o outro, mas é importante persistirmos”, diz Ione Pinheiro. A bancada de sete mulheres já é maior em duas cadeiras que a legislatura passada, mas representa uma queda diante de 2003 e 2007, quando foram eleitas 11 e oito deputadas, respectivamente.

Imagem Cuidado. As deputadas se preocupam com a imagem da bancada. Para a foto da reportagem, evitaram o que chamaram de “pose modelo” e preferiram “as que passam ideia de força, união e debate”.

Colegas divergem sobre aborto Em sintonia sobre a necessidade de aumentar a participação da mulher na política, de discutir a violência doméstica e a diferenciação de salários entre gêneros, as deputadas divergem em assuntos polêmicos como o aborto. Rosângela Reis (PROS) é contrária à mudança na lei que pode garantir o direito da mulher interromper a gestação. “Sou a favor apenas em caso de estupro e má-formação”. Marília Campos (PT) e Celise Laviola (PMDB) consideram o tema uma questão de saúde pública. “Deve ser dado esse direito à mulher”, diz Marília. “Não podemos julgar a necessidade do outro”, afirma Celise. 

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