Empreendedorismo em risco

Programa de incentivo a start-ups está ameaçado pelo corte de verbas do governo do Estado

iG Minas Gerais | Angélica Diniz |

Criatividade. Carolina Reis, na sede do Seed, reitera que incentivo foi fundamental para tornar BH referência na atração de start-up
Lincon Zarbietti / O Tempo
Criatividade. Carolina Reis, na sede do Seed, reitera que incentivo foi fundamental para tornar BH referência na atração de start-up

Criado para tornar Minas Gerais no maior polo de empreendedorismo tecnológico da América Latina, o Start-ups and Entrepreneurship Ecosystem Development (Seed) – programa estadual de incentivo a start-ups – está ameaçado. Desde que foi lançada, em 2013, a iniciativa captou R$ 14 milhões em investimentos. Mais de 70 ideias e projetos de todo o país e do mundo foram viabilizados.  

Para 2015, no entanto, o governo de Minas determinou o corte de verbas, o que não garante a continuidade dos investimentos no setor. O Seed, que era gerenciado pelo Escritório de Prioridades Estratégicas, órgão instituído há alguns anos, perdeu o status de secretaria por decisão do novo governo petista, o que prevê um orçamento menor para os próximos anos. A nova administração já enviou à Assembleia Legislativa texto da reforma para a redução da antiga pasta, que passará a ser denominada Escritório de Projetos. Questionado sobre a situação do Seed, o governo respondeu, em nota, que a situação financeira do Estado, assim como as ações e programas desenvolvidos por administrações anteriores, estão sob análise.

A medida preocupou empreendedores que participaram ou foram beneficiados no último ano. “Com a possibilidade do fim do programa, vai morrer junto todo um ecossistema. O incentivo foi fundamental para tornar Belo Horizonte uma referência na atração de start-ups. Serão menos empresas, menos empregos, menos negócios. É tirar uma peça da engrenagem que movimenta a economia de Minas Gerais”, desabafa a sócia-proprietária da start-up CellSec, Carolina Reis, 29.

Inovação. A empreendedora desenvolveu uma pesquisa sobre células-tronco e sentiu a necessidade de aplicar sua tese em benefício da população. “A ideia era lançar um modelo mais eficiente para testes de medicamento, sem utilizar animais”, explicou. Ela recebeu R$ 68 mil para viabilizar a star-tup. Em dois editais abertos, o governo ofereceu um capital livre de participação entre R$ 68 mil e R$ 80 mil, formação e conexão com uma comunidade global de empreendedores. O programa atraiu para a capital mineira pessoas de outros Estados e países, trazendo a determinação de construir algo inovador em Minas. No total, o programa recebeu 2.800 inscrições, acelerou 53 start-ups brasileiras e outras 20 estrangeiras. Essas empresas integram agora o ecossistema San Pedro Valley, comunidade que agrega as start-ups de Belo Horizonte.

Segundo Mateus Vieira Lana, 28, sócio-fundador da SmarttBot, entre 2013 e 2014, o número de start-ups da San Pedro Valley saltou de 120 para 227. Ele desenvolveu uma plataforma que permite ao pequeno investidor automatizar seus investimentos na Bolsa de Valores. Após receber R$ 80 mil, a empresa tomou fôlego. “O Seed foi definitivo para impulsionar nossa empresa. Seria uma perda para a economia de Minas Gerais”, opinou Mateus.

Ecossistema O San Pedro Valley é uma comunidade de start-ups da capital. O nome faz menção ao bairro São Pedro, onde vários empreendimentos se instalaram. Também faz uma alusão ao Vale do Silício, região dos Estados Unidos conhecida por concentrar empresas com o objetivo de gerar inovações tecnológicas. Hoje, o San Pedro Valley já engloba diversos bairros.

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