Obra de ginásio se despedaça

Construção se arrasta há uma década, precisa de R$ 20 milhões e de dois anos para ser concluída

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira / Bruno Trindade |

Abandonado. Parada desde novembro de 2012, obra do ginásio municipal de Juiz de Fora chama a atenção pelo crescimento de mato, materiais enferrujados e paredes e janelas destruídas por vândalos
FOTO: MOISES SILVA / O TEMPO
Abandonado. Parada desde novembro de 2012, obra do ginásio municipal de Juiz de Fora chama a atenção pelo crescimento de mato, materiais enferrujados e paredes e janelas destruídas por vândalos

Juiz de Fora. Quando idealizado, em 2005, o ginásio Jornalista Antônio Marcos Nazaré Campos, na Zona da Mata, queria ser um modelo de poliesportivo para o país, abrigando modalidades como basquete, vôlei e handebol, e recebendo delegações estrangeiras para treinamentos pré-Jogos do Rio, em 2016. Já se passaram quase dez anos, e o que se vê hoje é uma obra parada pela metade, com paredes destruídas, ferragens e madeiras expostas ao tempo, lixo, mato, depredações, pichações e até usuários de drogas.

O ginásio foi projetado para 6.000 pessoas, com salas de musculação, departamentos médico e de fisioterapia, além de ambientes para gerência e reuniões. Tudo isso está descrito no site oficial dos Jogos Rio 2016 como forma de atrair as equipes internacionais. A publicação, por sua vez, deixa claro que o complexo está em fase de construção. Assim, as delegações, que por ventura se interessem pelo equipamento, veem no guia online apenas as maquetes do ginásio concluído. Os que os visitantes não sabem é que as obras vivem quase uma década de percalços político-financeiros que atrasam seu andamento. A última interrupção foi em novembro de 2012. Diante do atual cenário e, mesmo que os trabalhos sejam retomados imediatamente, as obras só seriam concluídas em 18 meses, o que praticamente descarta a utilização do ginásio como local de treinos pré-Olimpíadas, já que os jogos começam em 5 de agosto de 2016. Segundo o Comitê Rio 2016, em março do ano passado, foi feita uma atualização das instalações esportivas que possam servir como locais de treinos para as Olimpíadas. O estádio Mário Helênio e a área anexa à instalação, onde fica o ginásio em construção, foram analisados e não foram descartados por entender que os locais ainda poderiam passar por alguma parceria – entre federações internacionais e entes públicos, por exemplo –, que viabilizasse a conclusão do empreendimento. Após se encontrar, em janeiro deste ano, com o ministro dos Esportes, George Hilton, o prefeito de Juiz de Fora, Bruno Siqueira, afirmou que terá total apoio do ministro –, porém, disse que ainda não tem a data de entrega do ginásio pois o convênio entre município e governo federal está em fase de reelaboração. “Queremos concluir o ginásio antes das Olimpíadas, mas depende de quando e de quanto o Ministério vai disponibilizar à prefeitura”, disse. Siqueira revelou que estudos apontam que o valor para a finalização da obra gira em torno de R$ 18 milhões a R$ 20 milhões e que a prefeitura negocia o valor de sua contrapartida financeira. No início do projeto, segundo a prefeitura, a previsão de conclusão era de 24 meses. O custo total do ginásio era de R$ 6 milhões, e o órgão municipal custearia R$ 2,6 milhões. As obras foram paralisadas por falta de recursos. A Caixa Econômica Federal contrariou a expectativa do prefeito e disse que a previsão de conclusão do ginásio é de 2 anos. A Ribeiro Alvim Engenharia, responsável pela obra, não se pronunciou.

Entenda o caso Abr/2005. Prefeito Alberto Bejani anuncia construção do ginásio em parceria com o Ministério do Esporte ao custo de R$ 7 milhões. Nov/2005. Caixa Econômica Federal libera R$ 1,4 milhões para início das obras. Nov/2006. Começa a terraplenagem, que dura quatro meses. Dez/2007. Ministério do Esporte repassa R$ 5,8 milhões para a retomada. Nov/2008. Verba para a obra encontra-se bloqueada pela operação Pasárgada. Abr/2009. Administração do novo prefeito Custódio Mattos consegue reduzir a contrapartida, mas obras seguem paradas. Out/2010. A Ribeiro Alvim Engenharia vence a licitação para as obras. Custo revisado já chega a R$ 14,5 milhões. Jul/2011. As obras, enfim, são retomadas, com a concretagem da laje das arquibancadas e a finalização dos vestiários. Nov/2012. Por falta de recursos, obra para novamente. Para a conclusão das obras, seria preciso cerca de R$ 20 milhões. 13/Jan/2015. Atual prefeito, Bruno Siqueira, encontra-se com o ministro dos Esportes, George Hilton, e solicita recursos para concluir a obra; Ministro ratifica apoio, mas conclusão do ginásio segue sem data definida.

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