A estratégia que faz do EI o grupo mais temido do mundo Coalizão intensifica os bombardeios

Livro publicado nos EUA mostra como grupo construiu bases de apoio que o tornam quase invencível

iG Minas Gerais |

Devastada. A cidade de Kobane, na Síria, foi recuperada das mãos do Estado Islâmico no fim de janeiro pelos curdos, após quatro meses de intensos combates. Derrota do EI na região mostra que, embora difíceis, os radicais não são invencíveis
BULENT KILIC/afp - 28.1.2015
Devastada. A cidade de Kobane, na Síria, foi recuperada das mãos do Estado Islâmico no fim de janeiro pelos curdos, após quatro meses de intensos combates. Derrota do EI na região mostra que, embora difíceis, os radicais não são invencíveis

Paris, França. O grupo Estado Islâmico (EI) aprendeu com os erros do passado cometidos pelos movimentos jihadistas e estabeleceu uma base de apoio quase invencível dentro do Iraque e Síria, com apelo espetacular para muitos dos muçulmanos sunitas do mundo, revelou um novo livro.

Os autores de “Isis: Inside the Army of Terror”, publicado neste mês nos Estados Unidos, conversaram com dezenas de combatentes e membros do grupo para compreender seu fascínio e como ele justifica suas táticas brutais. Isis é o acrônimo do Estado Islâmico em inglês. Um dos autores, o jornalista de origem síria Hassan Hassan, declarou que é vital entender que algumas das crenças religiosas centrais do grupo foram amplamente difundidas. “Apresenta-se como um movimento apocalíptico, falando sobre o fim dos dias, o retorno do califado e sua eventual dominação do mundo”, explicou Hassan, que vive em Abu Dhabi. “Essas crenças são absolutamente dominantes. Elas são pregadas por mesquitas em todo o mundo, especialmente no Oriente Médio”, disse. A pesquisa de Hassan junto com o co-autor Michael Weiss – um jornalista baseado nos Estados Unidos – deu a eles uma visão rara sobre o treinamento de novos recrutas do EI, que varia de duas semanas a um ano. “Os recrutas recebem formação militar, política e religiosa. Eles também são treinados em contra-inteligência para evitar infiltrações”, disse Hassan. Os autores descrevem seis categorias de recrutas do EI. Apenas duas estão enraizadas na religião: elas incluem os ultrarradicais que dominam os escalões superiores do grupo e as pessoas que aderiram recentemente à sua ideologia extremista. Outros recrutas são apenas oportunistas que buscam dinheiro ou poder; pragmáticos que querem estabilidade e encaram o EI como a sua única chance; e os combatentes estrangeiros cujos motivos variam muito, mas “são quase sempre alimentados por equívocos graves sobre o que está ocorrendo no Iraque e na Síria”. Os autores também ressaltam que o EI não é novo, mas surgiu das cinzas da Al-Qaeda no Iraque (AQI), um dos inimigos mais brutais dos norte-americanos após a invasão de 2003. A AQI foi amplamente derrotada depois que os EUA convenceram tribos locais a se erguer contra ela – uma estratégia conhecida como “The Awakening” (O despertar), que influenciou profundamente as ações do EI. “Desde o início, eles estão obcecados com o ‘Awakening'’, disse Hassan. “Eles fizeram de tudo para impedir que isso acontecesse novamente: construíram células adormecidas, compraram lealdade, dividiram comunidades”, explicou. “Eles conseguiram fazer com que uma resistência interna seja praticamente impossível. Nenhuma tribo vai combatê-los, porque acabará lutando contra seus próprios irmãos e primos”, acrescentou. “Eles combinam religião, geopolítica, economia e muito mais na sua ideologia. Não é uma ideologia frágil – eles têm apelo de massa”, completou.

Neonazistas Treze neonazistas foram presos neste sábado em frente a um centro de refugiados em Dortmund (oeste), na Alemanha. Dezenas deles faziam um ato que, de acordo com o líder dos Verdes alemães, expõe o renascimento do racismo e da islamofobia no país. Eles carregavam tochas e gritavam declarações racistas.

Indiciados Seis pessoas foram indiciadas nos EUA por tentativa de facilitar o envio de dinheiro e equipamentos militares a grupos jihadistas extremistas no Iraque e na Síria, incluindo o Estado Islâmico (EI). Os seis, todos originários da Bósnia, são acusados de apoiar o terrorismo.

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