Tempo de ser mais leve

Próximo do capítulo final, autor Aguinaldo Silva suaviza tom denso de “Império”, atual folhetim das nove da Globo

iG Minas Gerais | Geraldo bessa tv press |

Humor. Cora, de Marjorie Estiano, já não mostra aquele aspecto de vilão de novela das nove
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Humor. Cora, de Marjorie Estiano, já não mostra aquele aspecto de vilão de novela das nove

Nos primeiros meses de “Império”, Aguinaldo Silva acertou ao flertar com um naturalismo que não é tão comum em suas novelas. Investiu em cenas que prezavam pela coerência e um certo clima noir – evidenciado pela direção precisa e densa de Rogério Gomes. A tática não só atraiu o público como mostrou que, mesmo depois de tantos anos de carreira, o autor ainda poderia surpreender. No entanto, a assinatura de Aguinaldo é forte e um de seus maiores trunfos. Com “Império” chegando ao fim, ele resolveu relaxar e amenizar o tom mais duro de sua trama. Atualmente, a novela das nove se apresenta muito mais cômica e carregada da ironia que Aguinaldo sempre manuseou muito bem.

Núcleos outrora extremamente densos – como o de Cora, de Marjorie Estiano –, gradativamente, começaram a investir em sequências com mais humor. Principalmente depois que a vilã caiu nas armadilhas do casal Jurema e Reginaldo, de Elizângela e Flávio Galvão. Apesar de divertidas, as cenas comprometem ainda mais a função de Cora como principal vilã da trama. Desde o início, quando ainda era vivida por Drica Moraes, Cora se mostra mais uma mulher amargurada e injustiçada pela vida do que uma grande vilã de novela das nove. Lembrado por suas vilãs tresloucadas e passionais, Aguinaldo não conseguiu em “Império” o mesmo feito de tramas como “A Indomada”, “Fina Estampa” e “Senhora do Destino”, produções onde a figura da arquivilã obteve grande destaque. Na falta deste apelo, surgem alguns personagens que, em grupo, representam o antagonismo da trama, como José Pedro e Maurílio, de Caio Blat e Carmo Dalla Vecchia, respectivamente. Só que, enquanto Caio não perde a chance de mostrar seu talento ao viver o ambicioso filho do comendador José Alfredo, de Alexandre Nero, Carmo insiste em uma atuação monofacetada e marcada por caras e bocas.

Além da falta de um vilão à altura do texto de Aguinaldo, é possível notar em “Império” uma certa dificuldade em abordar uma simples história de mocinha e herói. Leandra Leal demorou a vestir a camisa de grande heroína da trama. A razão de toda essa falta reside na tática de Aguinaldo em concentrar quase toda a ação dramática no protagonista de Alexandre Nero. Por fim, assim como o posto de herói, o papel de verdadeiro vilão caiu nas mãos do próprio comendador. E coube à ninfeta Maria Ísis, de Marina Ruy Barbosa, a função de mocinha. Mesmo com esses deslizes estruturais, Aguinaldo tem ganchos e artilharia de sobra para segurar o público até o capítulo final.

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