Excesso de crueldade começa a rachar grupo Estado Islâmico

Clérigo diz que queimar pessoas vivas fere todas as religiões, é destituído e será julgado

iG Minas Gerais |

Solidariedade. Rainha Rania, da Jordânia, participa de manifestação contra o Estado Islâmico, que queimou um piloto
do país vivo e exibiu o vídeo chocante ao mundo. A Jordânia declarou guerra ao grupo terrorista
STR/afp
Solidariedade. Rainha Rania, da Jordânia, participa de manifestação contra o Estado Islâmico, que queimou um piloto do país vivo e exibiu o vídeo chocante ao mundo. A Jordânia declarou guerra ao grupo terrorista

Aman, Jordânia. Um proeminente pregador o jihadismo que acaba de ser solto da prisão na Jordânia fez duras críticas ao grupo terroristas Estado Islâmico, que queimou vivo um piloto jordaniano. Abu Mohammed Al-Maqdesi, considerado um mentor espiritual de muitos militantes da Al Qaeda, afirmou nesta sexta que a execução dispensada ao piloto Muath Al-Kasaesbeh “não é aceitável em nenhuma religião”. Falando à rede de TV Roya, o clérigo afirmou que participou das negociações para uma possível troca do piloto por uma prisioneira da Al Qaeda em mãos do governo jordaniano. No entanto, após a divulgação do vídeo da morte, disse Al-Maqdesi, ficou claro que ele já havia sido assassinado em janeiro, e que os Estado Islâmico nunca considerou seriamente fazer a troca.

“Durante nossas conversas, eles mentiram e foram evasivos”, disse. “Eles agiram como se estivessem interessados, mas na verdade não estavam”. Al-Maqdesi também criticou o grupo por declarar um califado no ano passado. De acordo com ele, um califado deveria servir para juntar os muçulmanos. O Estado Islâmico, entretanto, tem sido uma força divisiva dentro da comunidade. Na década passada, o clérigo era considerado o mentor da ramificação da Al Qaeda no Iraque, que deu origem ao Estado Islâmico. No entanto, ele caiu das graças de seus protetores por criticar seus métodos, inclusive o ataque a muçulmanos. Al-Maqdesi estava preso desde outubro, por criticar a participação jordaniana na coalizão militar liderada pelos Estados Unidos que realiza ataques aéreos a posições do Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Outro clérigo, um saudita pertencente ao EI, foi destituído por também criticar a execução do piloto jordaniano, informou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). O clérigo, conhecido pelo nome de guerra Abu Musab al-Jazrawi, criticou na quinta-feira em uma reunião a forma como o piloto foi morto, disse Rami Abdel Rahman, diretor da ONG. “Ele disse que a maneira de matar Kasasbeh era uma violação das tradições religiosas”. Segundo o OSDH, o clérigo foi destituído do cargo e pode ser julgado. Norte-americana. Os Estados Unidos não têm provas que confirmem a declaração do EI, segundo o qual uma refém americana teria morrido no bombardeio lançado por um avião jordaniano na Síria.

Milícia xiita dissolve o Parlamento do Iêmen Sanaa, Iemen. A milícia xiita Ansaruallah, também chamados huthis, anunciou nesta sexta a dissolução do Parlamento iemenita e a criação de um conselho presidencial de cinco membros, consolidando seu controle sobre o Iêmen, privado de poder executivo há duas semanas. O Iêmen, um aliado dos Estados Unidos na luta contra a Al Qaeda, está mergulhado em uma profunda crise política desde a renúncia em 22 de janeiro do presidente Abdi Rabbo Mansour Hadi e de seu governo, dois dias após a tomada do palácio presidencial pelos milicianos xiitas. Em uma “declaração constitucional” tornada pública a partir do palácio presidencial, ocupado pela milícia em 20 de janeiro, os xiitas dissolveram o Parlamento e criaram um Conselho presidencial de cinco membros, que deve eleger um Conselho Nacional de 551 membros. O Conselho Presidencial deve formar um governo de competência nacional por um período de transição, que a milícia fixou em dois anos.  

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