Crise afeta atendimento em hospitais universitários de MG

Há problemas nas quatro unidades de saúde do Estado; faltam remédios, e cirurgias foram canceladas

iG Minas Gerais |

Manifestação. Funcionários, pacientes e seus familiares fizeram ontem manifestação na capital contra problemas do Hospital das Clínicas
Moisés Silva
Manifestação. Funcionários, pacientes e seus familiares fizeram ontem manifestação na capital contra problemas do Hospital das Clínicas

O Hospital das Clínicas de Belo Horizonte passa por uma das maiores crises de sua história, com a suspensão de atendimentos e a piora na qualidade dos serviços que continuam sendo prestados. Os outros três hospitais universitários do Estado, todos referência em procedimentos de alta complexidade na rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e responsáveis por importantes pesquisas, também passam por dificuldades por causa de problemas financeiros – agravados pelo atraso nos repasses de verbas do Ministério da Saúde. Desde o fim do ano passado, cirurgias estão sendo canceladas, e medicamentos, inclusive os mais simples, estão em falta em algumas unidades.

No Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, pacientes reclamam da demora na realização de procedimentos e de que estão tendo que pagar do próprio bolso até por remédios simples. A situação é confirmada por médicos da instituição embora seja negada pela diretoria do hospital. Nesta sexta, funcionários fizeram uma manifestação por causa da situação vivida pelo hospital e contra a demissão de 170 contratados – eles serão substituídos por concursados. “Existe a falta desde medicamentos básicos a remédios quimioterápicos. É algo surreal para um hospital dessa grandeza, e os médicos acabam tendo que escolher outros tipos de medicamentos para minimizar o quadro do paciente”, afirmou um médico residente que pediu anonimato. O principal prejudicado com a falta de remédios e profissionais é o paciente. Esse é o caso, por exemplo, da filha de 10 anos da dona de casa Clemilda Carvalho, 28. A menina está internada na unidade desde 27 de janeiro e precisava de uma cirurgia de emergência para substituição de pinos em sua perna direita. “A perna da minha filha possui um tumor, que ela já operou antes. Só que ela começou a sentir muitas dores de novo, e o médico indicou uma nova cirurgia para colocar um outro pino. Há a suspeita de que o tumor tenha voltado, mas o médico nos informou que não há prazo para essa cirurgia ser realizada, mesmo diante da emergência, porque o hospital está com falta de material cirúrgico na ortopedia”, contou. Situação semelhante vive o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Desde dezembro, todas as cirurgias eletivas da unidade de saúde foram canceladas. Mesmo com o repasse de 70% da verba que estava em atraso, o valor ainda não foi suficiente para regularizar a situação, e não existe prazo para a retomada dos procedimentos. O hospital enfrenta até mesmo dificuldades para manter o fornecimento de alimentos para os pacientes e funcionários.

Em Uberaba, repasse federal cobre metade dos custos No Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba, a verba destinada pelo Ministério da Saúde é suficiente para cobrir apenas metade dos gastos com os atendimentos. Dos R$ 6 milhões necessários, só R$ 3 milhões vêm da pasta. Segundo a assessoria do hospital, o restante do recurso necessário para manter o atendimento chega por meio de outros projetos apresentados à União e também por meio do programa de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf). Estatal. O Hospital das Clínicas de Uberaba aderiu à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal criada para gerir os hospitais universitários, o que teria ajudado a unidade a não entrar em crise. O mesmo efeito não aconteceu no Hospital das Clínicas da UFMG, a outra unidade mineira que aderiu à empresa e que ainda sofre com a falta de recursos.

O outro lado Resposta. A assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas da capital informou que os recursos atrasados de 2014 foram repassados no fim de janeiro e, aos poucos, os estoques de material estão sendo regularizados. O Ministério da Saúde não respondeu à reportagem. Contratação. Sobre as demissões, o hospital informou que os funcionários contratados estão sendo substituídos por servidores concursados, já que a forma antiga de contratação foi considerada ilegal.

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