Exuberante e delicada

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“Penso que seguir um caminho autoral é a forma mais plena de criação”
Wolf/divulgação
“Penso que seguir um caminho autoral é a forma mais plena de criação”

Dona de um estilo próprio e ousado, longe da moda careta, certinha; a estilista Bárbara Maciel reflete sua personalidade na grife B.Bouclé, inclusive no nome – B., de Bárbara; Bouclé, de cacheado, em francês. Sua marca registrada? O lindo cabelo encaracolado e o batom vermelho, arrematado pelo largo sorriso. “Feminina a enésima potência”, como diz sobre a própria grife, vale para ela mesma. Puro charme!

 

Bárbara, você acaba de voltar de Londres. Desta vez, o que mais atraiu seu olhar, em termos de moda?

Voltei de Londres com uma visão muito positiva de uma moda comercial e que se preocupa em aguçar o desejo da mulher contemporânea.

 

No mundo globalizado, como criar sem copiar?

Penso que seguir um caminho autoral é a forma mais plena de criação, porém o mercado que se atinge é mais restrito; ao mesmo tempo, bem mais interessante. A cliente está mais aberta ao novo e ao único. Ela não quer ser massificada. Ainda continuo acreditando que é possível se sobressair. Inovar não é fácil, mas o desafio, certamente, é gratificante.

 

O que diferencia sua atual marca, a B.Bouclé, de seus trabalhos anteriores, como na Chicletes com Guaraná?

Na B.Bouclé, trabalho exatamente essa autonomia e liberdade de criação, explorando e extrapolando todas as fronteiras. Isso faz com que eu me sinta cada vez mais realizada enquanto criadora.

 

Qual a importância de eventos como o Minas Trend – promovido pela Fiemg e há temporadas consolidado no calendário de moda – para uma estilista mineira? O que ele acrescenta para o mercado fashion daqui?

O evento é uma janela para os talentos da área de moda e de criação. Considero o Minas Trend extremamente importante para o Estado e com visibilidade nacional. É afirmação da valorização do nosso trabalho, extrapolando o universo do showroom.

 

Nossa moda ainda goza do mesmo prestígio dos tempos do Grupo Mineiro de Moda?

Acho que não. Isso está sendo reinventado de uma forma mais individual e competitiva, e não acredito nessa forma. É fato que os tempos mudaram, mas a união do mercado e dos criadores da moda mineira, como era o grupo, fortaleceria ainda mais o nosso trabalho.

 

Há uma corrida desenfreada atrás de blogueiras famosas e de atrizes/personagens da Rede Globo para vesti-las e fazer a grife acontecer. Virou receita? Ainda é possível se dar bem na moda por um caminho paralelo?

Trata-se de uma escolha ou, se preferir, estratégia pessoal de cada marca. Não é como uma receita de bolo. A escolha da B.Bouclé segue um pouco o inverso, e damos certo também! As pessoas vêm até a marca atraídas por esse desejo do conceito que produzimos.

 

Qual é sua grife/estilista preferido(a) e por quê?

Comme des Garçons (grife criada pela estilista japonesa Rei Kawakubo, em 1973), pois acho que eles também seguem um caminho inverso ao da massificação e da padronização e fazem uma moda única e especial. Criaram um conceito, uma identidade que abrange o todo da marca, desde a estrutura física.

 

Quem você ainda gostaria de vestir?

Hum... A (modelo, designer e escritora) francesa Inès de La Fressange e a (modelo e artista burlesca) norte-americana Dita Von Teese.

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