Adeus ao Luar

iG Minas Gerais |

acir galvao
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A história do Luar começou muito antes de seu nascimento e se entrelaça com outras duas histórias. A minha e a da Menina. Todos que me conhecem um pouco sabem da importância que a Menina teve em minha vida. As pessoas que nunca tiveram animais de estimação como parte da família geralmente não entendem essa ligação, mas posso afirmar que é como se eles fossem filhos. O sentimento é exatamente esse. E ela era assim pra mim. Minha filhinha de quatro patas, linda e inteligente, e que todos diziam inclusive que se parecia comigo. Eu gostava de ouvir isso e até me orgulhava. Ela era especial. Era a minha paixão. E, por isso mesmo, gostaria que ela vivesse para sempre. Em um capítulo do livro “O Diário da Princesa”, Mia, a personagem principal, ao ser indagada sobre quem ela gostaria de clonar, responde que, se pudesse escolher, clonaria Fat Louie, o seu gato, pois seria muito bom ter vários dele por perto. Quando li essa parte da história, me identifiquei totalmente, porque foi mais ou menos o que fiz... Planejei um “namoro” para a Menina, pois gostaria de aumentar a família e assim ampliar ainda mais aquele amor que eu sentia. E eu até imaginava como seriam os filhotes e já sabia que ficaria com um. Ou melhor, uma. Ela já tinha até nome: Lua. Porém, a Menina teve uma gravidez complicada e infelizmente apenas três filhotes sobreviveram. A Lua não apareceu naquela madrugada... Mas, no lugar dela, veio um menininho lindo, preto com algumas partes douradas, como o luar despontando em uma noite escura. Foi amor à primeira vista. Desde o começo já chegou com torcida. Na época eu tinha blog e fiz uma enquete para me ajudarem a escolher o nome dele. Não lembro quais eram os outros nomes, mas “Luar” ganhou disparado, afinal, como um amigo me disse na época: “A gente precisa ver o Luar”! Ele foi ficando cada dia mais lindo. Com apenas 1 ano de idade, ganhou um concurso de Cocker do Ano, desbancando mais de 50 concorrentes, com direito a prêmio e tudo! E o Luar então se tornou presença constante na minha vida. Ele acompanhou meus passos por 13 anos. Viu muita coisa acontecer e viveu muitas aventuras também. Foi amadurecendo sem nenhum alarde. Sempre por perto, virou adulto. Virou pai. Virou avô. E, recentemente, bisavô. Me ajudou na partida da Menina. Viu cada um dos nossos outros cinco cachorros chegando. Aprovou quando eu descobri que também amava gatos. E, mesmo enciumado em alguns momentos, dividiu seu espaço sem egoísmo. Mas para onde olhar agora que esse espaço de repente ficou tão vazio? O que fazer com esse silêncio que de repente invadiu a casa, sem os seus latidos já esperados? Quem vai vir quando eu chamar “Lulululululu” e para quem vou abrir o portãozinho quando algum carro chegar à garagem? Você realmente vai fazer muito falta, meu amiguinho. Mas o que me consola são todas essas lembranças. E também saber que durante esses anos, que, apesar de serem muitos, parecem tão poucos, você foi feliz. É assim, feliz, que eu vou me lembrar de você a cada vez que eu olhar para o céu e ver o luar. Porque, para mim, você vai continuar sendo o cocker do ano. De todos os anos.

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