Orquestra Frevo do Mundo ‘estreia’ em Belo Horizonte

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Pupillo. Projeto é comandado pelo baterista da Nação Zumbi
ANDRE FOFANO
Pupillo. Projeto é comandado pelo baterista da Nação Zumbi

A Orquestra Frevo do Mundo surgiu a partir da coletânea de mesmo nome, lançada em 2009 e organizada por Pupillo – baterista e produtor musical da Nação Zumbi. “A ideia é propor novas versões e abordagens do frevo. Sempre lamentei muito essa mania do Brasil de lembrar as composições do folclore só na época do Carnaval. Então, pensei que criar novos arranjos seria uma forma de tocar frevo o ano todo”, conta o músico sobre o projeto que se apresenta em Belo Horizonte amanhã, a partir das 14h, no parque das Mangabeiras, com as participações de Céu, Karina Buhr, BNegão e Otto.

“Faço parte de uma geração que nasceu artisticamente propondo esse novo diálogo com a cultura popular”, pontua Pupillo, lembrando que tudo começou com o “primeiro grito do manguebeat”, que aproximou o maracatu da cultura pop. “Acho que é uma forma de se localizar dentro dessa nossa cultura, sem apenas ser um reprodutor dela”, ressalta. “Cresci em Recife brincando e vivendo essas culturas populares, como o frevo, o maracatu, a ciranda. Nunca estudei, aprendi fazendo. E desenvolvi esses diálogos a partir das minhas referências”.

Pupillo explica que a Orquestra Frevo do Mundo parte de uma “cozinha” a la rock’n’roll: baixo, bateria, duas guitarras e quatro metais. “A ‘metaleira’ toca os arranjos originais, enquanto eu busco, com a banda, fazer a ponte com outros elementos e adaptar as canções”, diz.

Entre o repertório que será apresentado no show, estão músicas de Alceu Valença, Capiba, Nelson Ferreira e Siba. “Fiz uma mescla com canções que estão no inconsciente das pessoas, mas música para dançar, sabe. O que eu não quero é que seja uma coisa contemplativa, parada. Quero ver é a galera curtindo, se divertido, dançando”, afirma.

Sobre as participações, Pupillo diz que foi natural “se cercar de pessoas que têm uma relação íntima com essa geração musical”. “É uma galera que começou junto. BNegão, que é contemporâneo nosso, da época do Planet Hemp, e um dos caras que mais prestigiam a música do Recife. A Céu, que eu tenho o prazer de manter um diálogo musical desde o começo da carreira. O Otto, que é um compadre, um cúmplice de som. E a Karina, que é uma irmãzona também. É essa ‘máfia’ de Recife mesmo”, brinca.

Karina Buhr ressalta que o repertório tem canções que ela nunca cantou antes e diz que é um privilégio tocar frevo fora de Pernambuco. “Rapaz, vai ser uma farra! Nunca pensei que ia tocar no Carnaval de BH, ainda mais frevo. Adoro tocar aí, espero voltar com um show meu logo depois do Carnaval”, afirma.

Pupillo também ressalta a oportunidade de trazer o projeto à capital mineira, que será o segundo lugar a receber a Orquestra Frevo do Mundo, depois da estreia em Recife, que acontece hoje. “Aqui, estamos em casa, vamos tocar para gente que conhecemos, que sacam de frevo. Então, tem essa coisa da aprovação. A estreia da festa, mesmo, é em BH”, ressalta. “Fiquei muito feliz de levar esse show até aí. É uma cidade que abraça tudo o que a gente faz, onde os shows da Nação são mais quentes. Uma coisa é certa: as fantasias já estão prontas. Se a galera não curtir o som, pelo menos das fantasias vai gostar!”, brinca.

Agenda

O QUÊ. Orquestra Frevo do Mundo no Viva o Carnaval Redondo.

QUANDO. Amanhã, às 14h

ONDE. Parque das Mangabeiras (av. José do Patrocínio Pontes, 840)

QUANTO. R$ 60 (meia-entrada) e R$ 120 (inteira)

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