Erros em sites limitam a bancarização por celulares e tablets

Pesquisa da deviceLab na Caixa, Itaú. BB e Bradesco aponta 552 falhas

iG Minas Gerais |


Problemas. 
Lentidão para carregamento da página principal e insistência para downloads complicam acesso
Lincon Zarbietti / O Tempo
Problemas. Lentidão para carregamento da página principal e insistência para downloads complicam acesso

Brasília. O governo sempre pensou no uso do celular como ferramenta para ampliar a bancarização da população de baixa renda, mas os sites dos quatro maiores bancos do país - Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Itaú – apresentam erros graves que inviabilizam a navegação justamente para os mais pobres.  

Pesquisa da empresa deviceLab apontou falhas que inviabilizaram o uso dos sites, como alerta de site não confiável exibida nos navegadores Chrome e Firefox, botões sem função ao toque e teclado do aparelho que sobrepunha campos e áreas de clique.

Das 552 falhas encontradas, 31,2% foram no site do Bradesco, 26% do BB e 25,2% da Caixa. O Itaú ficou com uma parcela de 17,6%, por ter um sistema mais eficaz de busca de agências no site quando acessados por celular ou tablet. Nenhum dos quatro bancos usam o recurso da geolocalização para indicar, pelo site, a agência mais próxima de onde o cliente está.

A avaliação foi feita, de 23 a 28 de janeiro, com um software especializado em testes automatizados em dispositivos reais, chamado blink. O estudo analisou simulação de crédito imobiliário, busca por agência, página inicial e acesso ao internet banking. Um dos problemas apontados foi a lentidão para o carregamento da página principal do recém lançado site da Caixa. Em geral, o site leva mais do que um minuto para carregar, independentemente do aparelho e do navegador utilizado – de 10 a 20 segundos já é acima do limite considerado aceitável.

Ao digitar o nome do banco direto no navegador, BB, Bradesco e Itaú sugerem com insistência o download do aplicativo do internet banking.

A sugestão de download de um aplicativo de forma tão incisiva torna-se arriscada, à medida que o usuário médio brasileiro possui aparelhos antigos e conexão de péssima qualidade, concluiu o estudo.

Para o CEO da deviceLab, Leandro Ginane, faltam aos bancos planejamento e testes antes de lançar uma nova versão dos sites. Ele explica que geralmente os testes são feitos em aparelhos de última geração, com conexão wifi e grande capacidade de memória para suportar cinco ou seis aplicativos rodando simultaneamente em segundo plano.

“A realidade do país é totalmente distinta. A maioria da população pertence à classe C e utiliza celulares menos modernos para acessar bancos, e-commerce, e, ao mesmo tempo conversar com amigos pelas redes sociais, tudo isso com uma conexão precária’, afirma Leandro Ginane.

Públicos

Difícil. Os bancos públicos não permitem que o cliente acesse sua conta pelo navegador do smartphone e avisam que isso só é permitido pelo aplicativo.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave