A sereia que canta e encanta

Respeitando seu tempo, cantora planeja novo álbum e volta a Belo Horizonte com a Orquestra Frevo do Mundo

iG Minas Gerais | LUCAS BUZATTI |

Show. Céu abusa de um cenário tropical e intimista, repleto de plantas, amuletos e luzes de neon
Divulgação
Show. Céu abusa de um cenário tropical e intimista, repleto de plantas, amuletos e luzes de neon

Quem assiste à batalha do repórter ao telefone imagina facilmente que se trata de uma ligação internacional, dada a dificuldade de comunicação. Mas a chamada é para Recife, onde Céu acabara de aportar para se apresentar junto à Orquestra Frevo do Mundo. Comandado por Pupillo (baterista e produtor musical da Nação Zumbi, e marido de Céu), o projeto faz sua estreia hoje, na capital de Pernambuco, e depois segue para Belo Horizonte, onde agita o Viva o Carnaval Redondo, amanhã, a partir das 14h, no parque das Mangabeiras.

Acontece que, ao chegar no aeroporto, Céu teve a mala extraviada. Com paciência e serenidade dignas de um monge, a cantora e compositora tentava resolver o imbróglio aéreo enquanto fazia questão de prosseguir com a entrevista. A calma de Céu – que completa dez anos de carreira em 2015 – acabou por desarmar a aflição do repórter. “Perdi minha mala aqui, está meio confuso. Mas vamos nessa, vai rolar”, incentivava a cantora ao telefone, com a característica voz suave, após uma das quatro vezes em que a chamada caiu.

A conversa começa pelo DVD “Céu Ao Vivo”, o primeiro da paulistana, lançado no fim de 2014. “O DVD não foi pensado como uma celebração da carreira, mas acabou se tornando, de certa maneira, porque já são três discos, bastante repertório. Achei que tinha a ver dar esse presente aos fãs”, conta, relembrando os álbuns da discografia: “Céu” (2006), “Vagarosa” (2009) e “Caravana Sereia Bloom” (2012).

Céu explica que a concepção estética do show – intimista, luz baixa, palco simples e perto do público – tem a ver com a simplicidade que guia sua criação artística. “Eu queria que o público se sentisse parte do show, do backstage, por isso tem esse clima mais próximo, mais intimista”, explica sobre a apresentação, que aconteceu no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo. “Eu sempre prezei pela simplicidade. Para mim, menos é mais”, diz

Filha do maestro e compositor brasileiro Edgard Poças, Céu revela que, apesar de ter crescido em um ambiente musical, hesitou em trilhar a carreira da música. “Eu sempre soube dos percalços, de como é difícil ser músico. Mas, depois, virou uma grande satisfação”, diz. Sobre o processo de criação artística e a miscelânea musical que formata suas canções, ela conta que não tem preconceitos quando o assunto é música. “Eu sou muito curiosa, escuto de tudo. Para mim, o que é bom é bom. Então, acabo misturando coisas inusitadas mesmo, mas que sempre têm um fio condutor, um porquê”, explica.

Perguntada sobre o que mudou entre o primeiro e o terceiro disco, Céu destaca principalmente a intimidade com o palco. “A experiência ajuda a ficar mais forte no palco, menos retraída. Não acho que é timidez, porque o artista sempre tem o que dizer. Mas sou introspectiva, tenho uma relação bem mais natural com a música do que com o palco”, ressalta. A artista revela, ainda, que já trabalha em um disco novo, que deve ser lançado no segundo semestre de 2015.

Em paralelo à divulgação do DVD, Céu tem rodado o Brasil com o show “Catch a Fire”, em que interpreta, na íntegra, as canções do emblemático disco de Bob Marley, de 1973. “Esse show tem sido um grande presente para mim. A música de Marley e dos Wailers é brilhante e trouxe um público muito grande, que não conhecia o meu trabalho. Me sinto privilegiada de tocar esses clássicos”, afirma. Sobre o legado do gênio do reggae, que teria completado 70 anos ontem, Céu é taxativa: “É música que toca a alma, de verdade. É reggae, mas tem muito de soul. Sempre me pegou muito”.

Frevo do Mundo. Sobre participar do Orquestra Frevo do Mundo, Céu conta que aceitou, na hora, o convite de Pupillo. “A turma toda que vai tocar é maravilhosa. Estou muito entusiasmada, porque nunca tive a oportunidade de cantar frevo. É uma novidade empolgante”, afirma. A artista finaliza o papo pontuando que adora BH. “É uma cidade que sempre me acolhe. Infelizmente, dessa vez vai ser muito rápido. Não vai dar para curtir os blocos, para conhecer o Carnaval daí. Mas já fica a dica para um próximo ano”, conclui a cantora.

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