À meia-luz dos holofotes

iG Minas Gerais | Fábio Corrêa |

Elke Maravilha foi uma das clicadas por Ana Valadares
AnaValadares/Divulgação
Elke Maravilha foi uma das clicadas por Ana Valadares

A biografia da fotógrafa mineira Ana Valadares oferece diversas nuances de luminosidade. Do suave brilho das lamparinas – que ornavam a fazenda onde passou a infância–, veio o apreço pela meia-luz. Dos holofotes do mundo da moda e da publicidade, ela tirou o principal objeto do seu trabalho. No entanto, o significado do título “Uma Vida Iluminada”, nome da exposição em cartaz no Memorial Vale e abrange os seus 45 anos de carreira, vai além do material de trabalho. Aponta, antes de tudo, para a satisfação de trabalhar um ofício gratificante, como ela mesma define.

O fascínio de Ana Valadares pela fotografia começou ainda na infância, na mesma fazenda das lamparinas, onde aconteceu o primeiro contato com a extinta revista “Realidade”, que chegava até lá. “Desde os 4 anos, eu ficava louca com as fotos que ilustravam as edições, sempre em preto e branco”, conta.    Aos 14 anos de idade, já morando em Belo Horizonte, após conhecer o processo de revelação no laboratório de um amigo do irmão, ela sedimentou a vontade e, aos 17, comprou o primeiro equipamento – e começou a clicar. Em pouco tempo, fez um ensaio com a modelo Neneca Moreira que surpreendeu a fotografada. Com incentivos da própria, Ana acabou seguindo no mundo da moda.   Além do glamour dos desfiles e das passarelas, a fotógrafa também construiu uma carreira sólida na publicidade, meio no qual não abriu mão da personalidade por trás das lentes. “Já fiz, por exemplo, foto de outdoor com iluminação de farol de carro”, recorda, lembrando a predileção por trabalhar no limite da iluminação – que remetem à meia-luz das lamparinas e velas.   Os retratos de personalidades integram outra parte importante da exposição. Entre os modelos, estão a poeta Adélia Prado, o estilista Camilo Paoliello e a modelo e atriz Elke Maravilha. “Para um retrato, você tem que ter uma história com o fotografado, tem que conhecer, tem que estudar o ângulo mais importante”, reflete. “Sinto que é de uma confiança muito grande e que a pessoa confia no meu olhar e no meu ponto de vista. É gratificante”, resume.   Caseira Hoje, aos 62 anos, Ana Valadares diz ter diminuído o ritmo de trabalho para publicidade e moda, apesar de manter alguns fiéis clientes. Agora, ela se dedica a fotografar, na maior parte do tempo, cenas que captura no edifício no qual reside, no bairro Sion. São imagens que contrastam com as fotos mais antigas por retratarem tucano, esquilos e corujas, seus vizinhos constantes, em cores, e serem feitas em câmeras digitais. De certa forma, é também um retorno às origens, na fazenda, onde começou o contato com a natureza e a própria fotografia.    Até 3 de maio, as três facetas do trabalho de Ana Valadares (moda, retratos e natureza) estarão presentes no Memorial Vale, na praça da Liberdade. Lá, o público poderá conferir 120 fotografias, projetadas em vídeo, e 18 impressas, escolhidas pelo curador Tibério França. A entrada é gratuita.   “Uma Vida Iluminada” Com fotografias de Ana Valadares Memorial Vale (Praça da Liberdade, s/n, esq. Gonçalves Dias, Funcionários). Terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 17h30; quintas, das 10h às 21h30; e domingos, das 10h às 15h30.  

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