Todos montados

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LEO FONTES / O TEMPO
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“Fica Wando” era o nome da indumentária que rendeu a Mariana Maioline, 30, um lugar no panteão dos mais criativos no primeiro concurso de fantasias do Baile de Marchinhas Mestre Jonas, em 2012, quando recorreu ao famoso quartinho de cacarecos da sua casa e logo se transformou em um varal de calcinhas.

Como porta-bandeira em reverência ao arquiteto Niemeyer e como bolsa-família de grife, a atriz subiu ao pódio nos outros dois anos de existência do concurso. Na quarta edição, que acontece na próxima sexta-feira (13) na avenida Brasil, ela ainda não tem certeza se vai participar. De qualquer forma, Mariana gosta mesmo é do improviso.

Foliã de Belo Horizonte desde o início do resgate da festa de rua, lá nos idos de 2009, a atriz sempre curtiu festas a caráter e nunca teve fantasia pronta no guarda-roupa. O tal quartinho é sempre a fonte de inspiração e sua maior solução. “É uma alegria ficar inventando moda, colocar uma coisa na cabeça, fazer uma maquiagem, pegar um cacareco”, declara ela, que é uma das principais fornecedoras de adereços carnavalescos para os amigos pularem nos blocos.

Faça você mesmo

Também adepto do “faça você mesmo”, o designer gráfico Leonardo Lima, 31, é um pouco mais preocupado com a confecção e chega a importar adereços, mais baratos lá fora. Para este ano, a peruca de personagem de anime encomendada da China já está a postos e um amigo costureiro está dando uma mãozinha na confecção dos trajes. “Estou muito ansioso pra usar uma fantasia baseada no Ney Matogrosso, da época da banda Secos e Molhados. É uma roupa toda de franjas brancas, nos braços e na cintura, com colares, a maquiagem e um turbante”, conta.

O folião começa a pensar nas fantasias mais ou menos seis meses antes da festa, afinal, os itens importados podem demorar até quatro meses para chegar. Mas a ideia é procurar materiais mais acessíveis e enriquecer o visual com o que encontrar em casa mesmo.

Aliás, é isso que a figurinista Lira Ribas faz para desfilar em blocos como o Corte Devassa e o Magnólia, um cortejo de jazz à la Nova Orleans que sai na terça de Carnaval no bairro Caiçara. Acostumada a planejar e dar forma a figurinos bem elaborados no teatro, ela prefere lidar com o improviso e a espontaneidade na rua.

“Para mim, Carnaval é brincar com essas coisas, pegar fantasia usada, reaproveitar. Em brechós de bairros mais tradicionais como Santa Tereza e Padre Eustáquio é possível encontrar roupas baratas, diferentes, fantasias antigas...”, aconselha Lira. Para ela, touca de banho, óculos de natação e galochas velhas já são suficientes para se transformar em uma super-heroína.

Esse aspecto é, inclusive, o que difere uma fantasia de um figurino, explica o professor do curso de Design de Moda da UFMG, Tarcisio D’Almeida. Segundo ele, embora ambos os termos operem uma suspensão da realidade no sentido em que se incorpora outros personagens, o figurino é criado obrigatoriamente para expressões cênicas e artísticas, enquanto a fantasia de rua carrega em si o próprio sentido carnavalesco do tosco e do escárnio.

Algo que a estudante de arquitetura e bailarina Branca Vasconcelos, 23, leva bem a sério. Referência para os amigos no quesito empolgação, ela faz da feitura da fantasia um processo igualmente divertido. “Ano passado, fui de salada de fruta com mais duas amigas e eu era a melancia. Meu pai que fez meu capacete com a fruta! Ele escolheu a melancia com o melhor formato pra minha cabeça, tirou o recheio, deixou secando e cortou”, lembra ela, entre risos.

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