Polícia mata 13 suspeitos de planejar assalto a banco na BA

Secretário de Segurança baiano defendeu ação e falou em “resposta à altura”

iG Minas Gerais |

SALVADOR. A uma semana do início do Carnaval, Salvador registrou nesta sexta um tiroteio que deixou 13 mortos e três feridos. A troca de tiros entre policiais militares e cerca de 30 suspeitos de roubo e tráfico de drogas ocorreu em via pública no Cabula, bairro de classe média baixa. Todos os 13 mortos estavam entre os suspeitos, além de dois feridos. Um sargento da polícia também foi ferido de raspão na cabeça, e não houve mortos entre os policiais.

Segundo a polícia, o Serviço de Inteligência obteve a informação de que o grupo planejava arrombar uma agência bancária na região. A polícia afirma que, quando chegou ao local, foi recebida com tiros e reagiu. As mortes dos suspeitos foram então registradas como autos de resistência. A polícia apreendeu 15 revólveres, dois coletes à prova de balas, munição e drogas como cocaína, maconha e crack.

A Polícia Civil investiga o caso. Três delegados estão interrogando os policiais, que entregaram suas armas para a polícia. Os três feridos foram operados e estão internados no Hospital Geral Roberto Santos. Dois estão em estado grave e um deles não corre risco de morrer.

Em nota, a Polícia Militar informou que as ações na região do Cabula foram intensificadas “com o objetivo de garantir à população a tranquilidade e a manutenção da rotina no bairro”.

Ação “enérgica”. Em entrevista à imprensa pela manhã, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, defendeu a ação e disse que o Estado tem de atuar de forma “enérgica” contra o crime organizado.

“Prefiro acreditar na versão dos meus policiais até que algum outro fato apareça. Nós não vamos tolerar a participação de elementos armados na pratica desse tipo de delito que a gente tem combatido, que é o estouro de terminal de caixa eletrônico. O criminoso que quiser enfrentar a polícia vai ter a resposta a altura”, finalizou. Ele afirmou também que os suspeitos estavam fortemente armados.

O governador do Estado da Bahia, Rui Costa, também comentou o fato, e afirmou que ocorrido não deve atrapalhar o Carnaval. “Os turistas vêm de São Paulo, um Estado que tem recorde nesse tipo de ação, de assalto a caixa eletrônico. E não vai ser por isso que o paulista, o carioca, o mineiro vai deixar de vir” afirmou ele.

Autos de resistência. As mortes de suspeitos durante operações policiais em diversos Estados brasileiros têm sido criticadas por organizações nacionais e internacionais. No último dia 29, a Human Rights Watch (HRW) publicou um relatório sobre a situação da tortura no mundo, no qual afirmou que no Brasil os problemas nessa área são “crônicos”.

Atualmente, as mortes de suspeitos em confronto com a polícia são classificadas como “auto de resistência”. O termo é um mecanismo legal criado em 1941 e criticado por defensores dos direitos humanos. No fim de 2014, ao apresentar seu relatório final, a Comissão Nacional da Verdade incluiu o fim dos autos de resistência entre 29 recomendações para o governo.

Armamento

Apreensões. De acordo com o secretário de Segurança do Estado, Maurício Barbosa, os suspeitos estavam com armas grosso calibre e uniformes do Exército. Também foram apreendidas drogas.

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