Valor da estatal cai R$ 8,5 bi

Ações na Bolsa têm queda de 7% após confirmação de Aldemir Bendine como presidente

iG Minas Gerais |

Incerteza. Valor de mercado da Petrobras oscila com denúncias da Lava Jato e as mudanças de comando
FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO - 11.4.2014
Incerteza. Valor de mercado da Petrobras oscila com denúncias da Lava Jato e as mudanças de comando

Rio de Janeiro. As ações da Petrobras caíram 7% nesta sexta após a confirmação da escolha do atual diretor executivo do Banco do Brasil (BB), Aldemir Bendine, como novo presidente da petrolífera. O conselho de administração da estatal esteve reunido em São Paulo para oficializar a indicação e anunciou às 15h. O desempenho da estatal puxou para baixo a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), cujo índice de referência Ibovespa recuou 0,90%, aos 48.792 pontos.  

Os papéis ordinários da Petrobras (ON, com direito a voto), fecharam em queda de 6,52%, a R$ 9,03. Já os preferenciais registraram baixa de 6,94%, a R$ 9,12. Com a queda, o valor de mercado da companhia recuou R$ 8,5 bilhões, fechando a semana em R$ 118,3 bilhões. No início da semana, o valor de mercado da petrolífera era de R$ 112,3 e chegou a R$ 129,8 bilhões após a renúncia de Graça Foster e cinco diretores (veja a oscilação do valor da estatal na infografia). Já os recibos de ação da companhia negociadas nos EUA caem 7,74%.

“Não era exatamente o que o mercado queria. A impressão que dá é que o governo não conseguiu achar ninguém do mercado privado, completamente independente do governo e com autonomia total para indicar sua equipe. Não veio aquele profissionalismo na gestão que se prometia, e assim a empresa seguirá sem um choque de credibilidade”, avalia Rogério Freitas, sócio na Teórica Investimentos.

Quando Bendine foi nomeado para chefiar o BB, em abril de 2009, as ações do banco recuaram 8,15%, com os investidores interpretando a troca de comando como uma ingerência do Planalto sobre o banco.

“Muito mais do que uma simples mudança, o mercado esperava um choque de gestão. A interpretação dos investidores é que esse choque não virá por meio de uma pessoa extremamente ligada à política, que vem de uma outra estatal”, analisa Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos. “Os outros nomes que vinham sendo cogitados seriam muito mais bem aceitos do que o de Bendine”, completa Zeno.

Além da estatal, contribui para a queda da Bolsa o desempenho do Banco do Brasil, de Bendine, que recuou 3,91%.

Em nota a clientes, o Bradesco BBI disse que Bendine não forneceria o choque de credibilidade necessário à companhia. Mas analistas do banco afirmaram acreditar que a medida é apenas uma solução temporária até que o governo encontre um presidente executivo permanente. Para o presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, Bendine é visto como uma continuidade, não como ruptura.

CVM

Mudança. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo para analisar a divulgação, pela Petrobras, da renúncia da agora ex-presidente da companhia, Graça Foster, e de cinco diretores.

Limite. A renúncia da presidente e dos diretores foi comunicada pela Petrobras em resposta a um questionamento feito na véspera pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A resposta foi enviada pela Petrobras ao sistema da CVM mais de uma hora após o prazo determinado pela Bovespa, de 9h.

Nota. Além disso, não houve comunicação por meio de fato relevante – um tipo específico de comunicado exigido pela CVM em caso de “decisão de acionista controlador”.

Nova York A escolha de Bendine não agradou os investidores em Wall Street. O executivo é visto como muito próximo ao PT. Com o anúncio da troca, houve queda dos American Depositary Receipts (ADRs), recibos que representam ações da Petrobras listados na Bolsa de Valores de Nova York. O papel recuou 9,3% no fim do dia desta sexta.

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