Torcida ameaça impedir Corinthians de ir a clássico, afirma promotor

Torcedores ameaçaram não deixar o clube sair do CT Joaquim Grava para a partida

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Torcedores não aceitam determinação de torcida única no clássico contra o Palmeiras
Divulgação/Site Oficial
Torcedores não aceitam determinação de torcida única no clássico contra o Palmeiras

O promotor Paulo Castilho afirmou nesta sexta-feira que a torcida do Corinthians ameaçou não deixar o clube sair do CT Joaquim Grava para enfrentar o Palmeiras, no domingo, às 17h, no novo estádio palmeirense, pela terceira rodada do Campeonato Paulista.

"Soubemos que os torcedores já ameaçaram o clube, de proibir o time de sair do CT no domingo. Os clubes estão reféns das torcidas organizadas. Queremos que o torcedor comum possa ir tranquilamente aos jogos", disse Castilho.

A ameaça da torcida corintiana acontece um dia após a FPF (Federação Paulista de Futebol) decidir que o clássico tenha torcida única.

A FPF atendeu o pedido do Ministério Público, que recomendou, por medidas de segurança, que apenas a torcida palmeirense compareça a partida.

O Ministério Público diz ter feito uma varredura nas redes sociais e identificou organizados agendando emboscadas e brigas no dia da partida. Com essa informação e baseado no histórico de confrontos entre as torcidas, o órgão solicitou à FPF a aplicação de torcida única nesta partida.

Nesta sexta-feira, o Corinthians entrou com uma ação ordinária na Justiça solicitando a antecipação de tutela contra o Governo do Estado de São Paulo. O processo tem a intenção de garantir que seus torcedores possam ir ao estádio.

Caso não consiga a liminar, o clube de Parque São Jorge quer o adiamento do jogo até que o mérito seja julgado. "Esperamos essa decisão até as 19h", afirmou o diretor jurídico do Corinthians, Luis Alberto Bussab.

No processo, o Corinthians diz que "não pode aceitar uma determinação travestida de recomendação, ilegal, discriminatória e casuísta (...) se o Poder Público não consegue conter e combater os torcedores violentos -estes sim os que deveriam ser afastados dos estádios. Não é se determinando a realização de partidas com torcida única que o problema será resolvido".

PROMOTORIA

O promotor Paulo Castilho disse ainda que não é a favor de apenas torcedores de um time no estádio, mas de que os visitantes sejam apenas torcedores de organizadas.

Ele também contou que a proibição para corintianos irem no domingo ao estádio palmeirense, e outros jogos no futuro, visa tirar das organizadas o que, segundo ele, é a maior fonte de renda das uniformizadas.

"As pessoas falam que não adianta proibir entrada no estádio, se algumas brigas ocorrem longe do local da partida. Mas essas brigas têm como motivação o futebol e a organizada. O grande problema de cercear a torcida visitante é acabar com a maior fonte de renda da torcida, que vem da caravana, onde vendem ingresso, alimento e transporte. Aí você mexe no bolso da organizada. Aquele espaço [torcida visitante] não é da organizada, é de todos torcedores", disse Paulo Castilho.

Ele informou ter tido uma reunião na manhã desta sexta com o presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Marco Polo Del Nero, e com o vice e sucessor na entidade, Reinaldo Carneiro Bastos, e que sugeriu que a federação indique aos clubes que não vendam ingressos para visitantes apenas para torcedores organizados.

"O ideal é que o espaço seja de qualquer torcedor. Por que o Corinthians não vende os mil, 1.600 ingressos que teriam contra o Palmeiras para o Fiel Torcedor [sócio-torcedor]?

Minha sugestão é que comecem a dar ingressos de visitante a associações, como de médicos, de jornalistas, e aos poucos poderíamos dividir novamente os estádios", disse Castilho.

Roberto Senise, o outro promotor que assinou a recomendação de torcida única, disse entender a posição do Corinthians, que entrou na Justiça pedindo uma liminar para que os corintianos possam entre no estádio. "Ele está defendendo o clube dele, uma instituição privada. Nós estamos tentando defender a população", disse Senise.

Ambos admitiram que pode haver confusão longe do estádio e que consultaram a Polícia Militar antes de dar a recomendação. E que é quase impossível acabar com torcidas as torcidas organizadas.

"É preciso mudar a legislação para que a Mancha Verde não acabe um dia, e no outro eles abrem a Mancha Alviverde, com outro CNPJ. É preciso punir, mas dificultar a existência das torcidas", disse Paulo Castilho.

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