Chuva já impacta em mananciais e faz subir nível de reservatórios

O aumento no volume dos reservatórios é normal em períodos chuvosos e não faz tanta diferença em relação a crise hídrica, mas pode ajudar a amenizá-la a longo prazo

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Por causa da chuva dos últimos dias, alguns reservatórios e sistemas que abastecem Belo Horizonte e região metropolitana apresentaram um aumento em seus volumes ou vazões. O que não significa necessariamente que as oscilações no abastecimento da Grande BH irão se resolver de um dia para o outro. Mas o aumento nos níveis dos reservatórios pode sim, refletir em uma melhora na crise hídrica daqui a alguns meses. 

Segundo consta no portal da transparência da Copasa, a vazão do rio das Velhas passou de 13,9 metros cúbicos por segundo (m³/s) no dia 3 de fevereiro, para 19,5 m³/s no dia 4. E nessa quinta-feira (5) a vazão registrada foi ainda maior, chegando a 29,7 m³/s, a maior desde o início do ano.

FOTO: Copasa Início das chuvas fez aumentar a vazão do rio das Velhas

O professor de engenharia hidráulica e recursos hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luiz Rafael Palmier, explica que vazão é diferente de volume. “A vazão é o volume calculado em um determinado espaço de tempo, e está relacionada a rapidez com que este volume se escoa”.

Já o cálculo do sistema Paraopeba considera o volume, e não a vazão. Entre o dia 4 deste mês e esta sexta-feira (6), o nível do reservatório passou de 29,5% para 29,7%. O reservatório do sistema Rio Manso, no entanto, se manteve estável nos dois últimos dias em 43,5%. Nos dias anteriores, ele estava um pouco maior, oscilando entre 44,2% e 43,6% desde o início do mês.

FOTO: Copasa Paraopeba Volume do reservatório Paraopeba também aumentou com as chuvas

O volume do reservatório Serra Azul, por sua vez, passou a subir desde o dia 24 de janeiro e se manteve estável em 6,4% desde o início de fevereiro. Mas nesta sexta-feira (6), ele chegou a 6,7%.

FOTO: Copasa Serra Azul Nível no reservatório Serra Azul também subiu nesta sexta-feira

Quanto ao reservatório Vargem das Flores, seu volume esteve em queda progressiva desde o início da estiagem, mas passou a subir a partir do dia 26 de janeiro, apresentando oscilações entre o fim do último mês e início de fevereiro. Mas entre essa quinta e esta sexta-feira, seu volume passou de 27,8% para 28,6%.

FOTO: Copasa Com a chuva, volume do reservatório Vargem das Flores também subiu

Tendência

Se depender da chuva, a tendência é que o nível dos reservatórios continue subindo, já que a previsão é de fortes chuvas para os próximos dias. A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) emitiu, inclusive, um alerta nesta sexta-feira de chuvas de forte intensidade e rajadas de vento em torno de 45 km/h, além de trovoadas isoladas em Belo Horizonte. A estimativa é que até as 9h deste sábado (7) o volume das chuvas varie entre 30 a 50 mm.

O que significa

O professor de engenharia hidráulica e recursos hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luiz Rafael Palmier, explica que é diferente quando chove em mananciais utilizados como reservatórios de abastecimento e quando chove em rios e lagos na zona urbana.

“Quando chove em um rio urbano, essa água não corre para as áreas subterrâneas porque o solo é impermeável, geralmente. Com isso, os rios costumam transbordar e causar inundações, alagamentos e enchentes, podendo causar estragos. Já as áreas de drenagem dos mananciais costumam ser maiores e há uma regularização das vazões do curso d´água. Ou seja, a água da chuva que cai ali, se infiltra no solo e o escoamento da água acontece de forma natural, ela acaba desembocando em outros lugares, como o rio São Francisco, por exemplo, quando chega no mar. Então essa água não chega a transbordar, como acontece nas áreas urbanas, mesmo que chova com muito intensidade e por muito tempo", diz. 

Ainda conforme o professor, a resposta não é imediata, mas pode ajudar a amenizar a seca mais pra frente. “Essa água fica no solo durante o período chuvoso e no período de seca ela continua ali, e ajuda a sustentar o rio quando não chove. Então, por exemplo, o aumento destes níveis agora provavelmente irá refletir lá pro meio do ano, quando possivelmente estaremos em um período de mais seca”, explica.