Auditoria em Minas indica corrupção com empreiteiras da lava-jato

Informação de irregularidades durante a gestão tucana no Estado é do líder do governo de Minas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado estadual Durval Ângelo (PT)

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Politica - Belo Horizonte - Minas Gerais
Evento em comemoracao dos 35 anos do partido dos trabalhadores PT , traz a Belo Horizonte no hotel Ouro Minas , representes nacionais do partido.
Na foto: Durval Angelo

Foto: Uarlen Valerio / O Tempo -   06.02.2015
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Politica - Belo Horizonte - Minas Gerais Evento em comemoracao dos 35 anos do partido dos trabalhadores PT , traz a Belo Horizonte no hotel Ouro Minas , representes nacionais do partido. Na foto: Durval Angelo Foto: Uarlen Valerio / O Tempo - 06.02.2015

Aproveitando a comemoração dos 35 anos de criação do Partido dos Trabalhadores (PT), o principal líder do governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Durval Ângelo, afirmou que as auditorias que estão sendo feitas nas contas dos últimos governos do Estado indicam que houve corrupção em obras com as mesmas empreiteiras citadas na operação Lava Jato. 

Entretanto, o deputado estadual disse não estar autorizado a divulgar os dados oficiais. "Elas (auditorias) são estarrecedoras. A gente vai ver que as empreiteiras que estão envolvidas na Lava Jato são as mesmas que estiveram aqui", falou. Para completar, o político petista ainda disse que certamente "as auditorias feitas aqui em Minas Gerais não terão o mesmo destaque na mídia". 

Durval também afirmou que seria o erro pensar que a corrupção envolvendo essas empreiteiras só aconteceu na Petrobras. Segundo ele, foram as mesmas empresas que participaram da construção da Cidade Administrativa.

Em novembro deste ano, O TEMPO publicou uma reportagem que trata sobre o assunto. Conforme os levantamentos feitos pelo repórter Lucas Pavanelli, desde que Antonio Anastasia (PSDB) assumiu seu segundo mandato como governador, em 1º de janeiro de 2011, até deixar o cargo para Alberto Pinto Coelho (PP) em 4 de abril deste ano, o governo de Minas firmou contratos de cerca de R$ 1,7 bilhão com sete das empreiteiras citadas na operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O levantamento leva em conta os registros do “Diário Oficial do Estado”, desde o primeiro dia do segundo mandato do tucano até hoje. Em geral, os contratos foram firmados com a Copasa, a Cemig e a Codemig. A Odebrecht Ambiental, braço do Grupo Odebrecht, lidera o ranking das empreiteiras com contratos mais caros com o Executivo estadual. Em outubro de 2013, a empresa venceu uma licitação para realizar obras de ampliação do sistema produtor do rio Manso, responsável pelo abastecimento de água em Belo Horizonte e região metropolitana.

O contrato ficou em R$ 693 milhões. Ao contrário de outras sete empreiteiras, nenhum dirigente da Odebrecht foi preso durante a sétima fase da operação Lava Jato, deflagrada ainda em novembro do ano passado. No entanto, no mesmo dia das prisões, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na sede da companhia, no Rio de Janeiro.

A Camargo Corrêa levou, em dois contratos, mais de R$ 500 milhões. Um contrato no valor de R$ 370 milhões é para a modernização da Usina Hidrelétrica (UHE) de São Simão, que fica entre os municípios de Santa Vitória (MG) e São Simão (GO). O outro contrato é para “fornecimento parcial de materiais, das obras e serviços” do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Ibirité, na região metropolitana. O preço: R$ 120 milhões. O presidente e o vice da Camargo Corrêa foram presos.

As demais empreiteiras, construtora OAS, Queiroz Galvão, Mendes Júnior, Constran e Galvão Engenharia, venceram licitações no total de R$ 512 milhões durante os governos tucanos. Entre as obras estão a Estação da Cultura Presidente Itamar Franco, em Belo Horizonte, e a Cidade Administrativa, na região Norte da capital. 

Outro lado

Procurado pela reportagem de O TEMPO, o deputado federal e presidente do PSDB em Minas, Marcus Pestana, rebateu as acusações e afirmou que irá interpelar judicialmente o deputado Durval Ângelo por conta das declarações. "O líder do governo Pimentel foi absolutamente leviano com suas infelizes declarações. Não tire deputado, o PSDB de Minas, por sua régua e compasso ético", afirmou.

Segundo o deputado, o PT está mergulhado no maior escândalo da história brasileira e uma das maiores crises éticas do mundo. "Não tentem passar para a sociedade que somos iguais, não somos, somos diferentes". Pestana disse ainda que é preciso ser responsável na divulgação de informações. "Não é possível jogar ao vento levianamente uma acusação grave. Mas quem conhece o padrão ético de Durval Ângelo, e que pode falar melhor do que eu, é o ex-deputado federal do PT Juvenil Alves", acrescentou.

O presidente do PSDB mineiro rebateu ainda a acusação de Durval de que as empreiteiras envolvidas na Lava Jato fizeram obras em Minas Gerais durante a gestão tucana. "O Brasil tem larga tradição na construção civil pesada, é um dos setores mais avançados do país. Não é atoa que empresas brasileiras realizam em todo o mundo grandes obras como hidrelétricas e barragens. O brasil sempre se notabilizou por sua qualidade técnica, todas as grandes obras envolvem as dez maiores empresas brasileiras", afirmou.

Por fim, o político tucano afirmou ainda que os 12 anos da gestão do partido no Estado ocorreram sem nenhuma denúncia, completando que o PT está desesperado pelo agravamento da crise "e tenta misturar as coisas e nivelar por baixo".