Bate debate 6/2/2015

iG Minas Gerais |

Hegemonia   Carolina Fernandes  Moderadora do Fiscalizando Contagem   “Não ponhas todos os ovos no mesmo cesto". Esse é um provérbio português que recomenda não entregar todos os bens ou influências a um só administrador e deveria ser copiado por nossa Contagem. Quase todos os partidos políticos da cidade se renderam às benesses do governo, e ninguém quer fazer oposição. Acredito que o regime de colisão que foi estabelecido nos últimos anos precisa acabar, não digo nem ser revisto, por que é uma vergonha. Dizem que é normal que os partidos formem blocos, apoiem ou não o governo, mas não em troca de ajuda para os seus currais eleitorais, para as suas ONGs, tudo sem regras definidas, afrontando o princípio de autonomia, privilegiando o interesse particular.   O poder político de Contagem está estabelecendo um poder hegêmonico. Estariam os comunistas engendrados no conceito de “bloco hegemónico” de Gramsci. Segundo esse conceito, o poder das classes dominantes sobre o proletariado e todas as classes dominadas dentro do modo de produção capitalista não reside simplesmente no controle dos aparelhos repressivos do Estado. Se assim fosse, tal poder seria relativamente fácil de derrotar (bastaria que fosse atacado por uma força armada equivalente ou superior que trabalhasse para o proletariado). Esse poder é garantido fundamentalmente pela “hegemonia” cultural que as classes dominantes logram exercer sobre as dominadas, por meio do controle do sistema educacional, das instituições religiosas e dos meios de comunicação.   Esse domínio encontra pouca resistência e agora essa do Partido dos Trabalhadores aderir ao comunismo, aceitar cargos no governo e deixar de lado toda a sua história. Não sou militante do PT e não estou aqui para defender esse ou aquele partido. Minha luta é outra. A cada dia vejo que o Fiscalizando Contagem, grupo do Facebook, estabelece seu papel na história dessa cidade. Um papel de resistência, contra a hegemonia do poder sobre o povo. Nossa cidade não merece esse apagão. Sim, porque sem oposição estaremos nas mãos do governo, perdidos. Ainda há possibilidade de termos uma cidade muito melhor. Mas não creio que possa haver um governo justo sem oposição. Como bem lembrou o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Roberto Barroso, o sistema eleitoral e o partidário no Brasil são indutores da criminalidade. Temos que ter quem fiscalize.   Enquanto isso, mesmo que cercado por bajuladores o rei está só, em seu castelo, o nosso prefeito vê Contagem à deriva. Os problemas se acumulam, lixo, falta d’água, buracos, falta de remédios, tudo complicado enquanto alguns fingem que governam. Sob a perplexidade de uns poucos, vivemos em duas Contagens, uma das autoridades, outra dos cidadãos. A cidade caminha tão lentamente que mais parece uma lesma com complexo de inferioridade. E o que fazer? A partir de agora, é exigido de todos nós mais coragem nesse enfrentamento, sem flexibilizar princípios. Que toda loucura seja perdoada quando estivermos lutando pelo bem comum. Em tempos de Carnaval, decidimos Fiscarnalizar com Alegria, sem perder o viés da contestação. Vamos pra rua mostrar a nossa cara e ver “quem paga pra gente ficar assim”. Carlin, “qual é o seu negócio? O nome do seu sócio, confia em mim” (Cazuza).

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