Para aí, que eu quero descer

iG Minas Gerais |

Vou abrir uma exceção e fazer essa coluna na primeira pessoa. Quase nunca faço isso no quase oito anos em que ocupo esse espaço. Mas volto das férias sem entender quase nada de quase tudo que está acontecendo. Então resolvi listar alguns dos absurdos que se configuram neste momento por este Brasil. Há uma crise hídrica no Sudeste, e todos os consumidores domésticos precisam economizar água. Não ouvi falar em racionamento de água para o agronegócio, que é o maior consumidor de água do país, nem para as mineradoras. Também não ouvi falar em captação de água de volume morto para o Nordeste, que sofre com a seca há décadas. Aliás, eu nem sabia o que era volume morto antes de a crise hídrica chegar a São Paulo. Apesar de morto, ele nasceu, acredito, pelas mãos do governo paulista. Mas também há uma crise energética acompanhada de risco de apagão. Mas, na campanha eleitoral, isso não existia. Algo deve ter acontecido nos últimos meses que fez com que a energia escapasse, ou então ela deve ter ficado represada nas urnas. O horário de verão parece que não ajudou muito, mas deverá ser mantido nos anos seguintes. A gasolina aumentou de preço justamente no momento em que o valor do petróleo cai no mercado internacional. A Petrobras continua na corda bamba. E só agora a direção será trocada, mas a presidente Dilma Rousseff queria que a turma da cúpula permanecesse no cargo até o fim deste mês. A apuração da corrupção na estatal, prometida também durante a campanha eleitoral, só continua por graça (sem nenhum trocadilho) da Polícia Federal. A investigação interna da empresa é algo de que ninguém mais ouve falar. Alguns benefícios para os Poderes Legislativo e Judiciário e o Ministério Público, como o auxílio-moradia, voltaram a vigorar. Mas eu não me lembro de isso ter sido uma reivindicação das manifestações de junho de 2013. Até a verba indenizatória para deputado que não está exercendo o cargo está de volta. Eu devo ter ouvido vozes diferentes das ruas. Deve ser algum tipo de deficiência que eu adquiri ao longo do tempo. Eu devo estar entendendo tudo errado. Ainda disseram-me que no governo do PT em Minas Gerais o que mais tem é tucano dando cartas. Deve ser intriga da oposição. O problema é que eu não sei mais quem é oposição. Mas tudo bem, eu também não sei mais quem é governo aqui nem em lugar nenhum. Ainda falaram que Dilma e Lula estão brigados e não conseguem entrar em acordo a respeito das indicações para cargos. Mas também parece que não tem ninguém querendo ir para o comando da Petrobras. Ah, mas tem algo que eu entendi: Renan na presidência do Senado. Aliás, eu nem lembro quando foi diferente disso. Devo estar louca mesmo.

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