As sete vidas de uma roqueira em evolução

Pela segunda vez na capital mineira com a turnê do novo disco, Pitty promete show enérgico e repleto de novidades

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Pitty se apresenta no Pop Rock Brasil, em 2005: público mineiro é antigo conhecido da roqueira baiana
Alex de Jesus
Pitty se apresenta no Pop Rock Brasil, em 2005: público mineiro é antigo conhecido da roqueira baiana

Nas fotos e na presença de palco, Pitty parece a mesma de dez anos atrás. Cabelos longos, olhar penetrante, energia, atitude, corpão e vozeirão. Musical e pessoalmente, no entanto, muita coisa mudou na vida da roqueira baiana, que volta a Belo Horizonte pela segunda vez com a turnê de seu último disco, “Sete Vidas”, lançado em 2014. O show acontece amanhã, às 22h30, no Music Hall.

Conhecida do público mineiro, Pitty já perdeu a conta de quantas vezes passou pelo Estado. “O último show que fizemos em BH foi incrível, tinha bastante tempo que a gente não tocava na cidade. E sempre passamos por Minas, tanto na capital quanto no interior. Sinto que temos um público bem fiel aí”, constata.

A cantora se diverte ao relembrar as diferentes situações que já a trouxeram a Minas Gerais. “Até em réveillon eu já toquei. Toco aí desde a época do Pop Rock”, diz. Ela guarda o extinto evento na memória, mas reflete sobre as diferenças entre tocar em festivais e fazer shows próprios. “Os dois são sempre legais. Mas o show, específico, é mais montado. Tem começo, meio e fim. E o público que está ali já conhece o seu trabalho”, defende.

A apresentação de amanhã mostra novamente as canções do último álbum, mas também guarda novidades. “O show já mudou desde a última vez que passamos por BH. Ele vai mudando na estrada. Temos projeções novas, por exemplo. Além de músicas diferentes no repertório, para que quem conferiu o último também possa ouvir coisas novas nesse”, explica.

Destruição e criação. O nome “Sete Vidas” vem da capacidade de Pitty se reinventar enquanto artista. O disco, no entanto, surgiu da necessidade pessoal de transformar em música as dificuldades que a roqueira passou em 2013. “Foi um ano muito maluco para mim. De destruição, de recomeço, de transformação interna. Perdi pessoas, terminei relações, comecei outras, tive um problema de saúde, me recuperei. Então, todas as coisas esquisitas de 2013 serviram de combustível para o disco”, pontua.

O álbum saiu cinco anos depois de “Chiaroscuro”, o que, para Pitty, nada mais é que um processo natural da criação artística. “Não consigo entender esse lance de que o disco demorou. A arte tem o tempo dela. Quanto pintou a vontade de fazer um disco de rock, fizemos. E foi na hora certa para mim”, defende. “Além do mais, nesse meio-tempo, fiz muita coisa diferente, como o Agridoce (duo de folk rock com o guitarrista Martin Mendonça). Também lancei um livro de fotos no ano passado. Meu trabalho artístico não se resume a lançar disco”, pontua.

Pitty conta que os temas das letras do novo trabalho se correlacionam e partem sempre de um questionamento. “Escrever sempre foi uma mola propulsora para mim. Tem resiliência, mas tem questionamento. E sempre com muita vontade de fazer mais perguntas do que oferecer respostas, estimulando o diálogo sobre diferentes questões”, reflete.

Apesar de ser guiado pelo rock, “Sete Vidas” é o primeiro disco de Pitty a contar com a influência de ritmos africanos nas canções. “Isso sempre foi um tabu muito grande para mim, que eu tentei desconstruir nesse disco. Tive uma banda de hardcore na Bahia, no auge da axé music. Era uma guerra para quem queria fazer outro tipo de som”, relata. “Só com o tempo consegui enxergar o lado bom dessa cultura, que faz parte de mim. É uma relação de encontro, finalmente fiquei em paz com isso. Bendito tempo!”.

Serviço. Pitty apresenta o show “Sete Vidas”. O evento acontece amanhã, às 22h30, no Music Hall (av. do Contorno, 3.239, Santa Efigênia). Os ingressos variam de R$ 65 e R$ 80 (meia-entrada) a R$ 130 (inteira) e R$ 160 (inteira).

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