Uma história contada em movimentos

Peça da Mimulus Cia. de Dança desconstrói passos de danças de salão para mostrar trajetória de 20 anos do grupo

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Bilhetes escritos por espectadores compõem o cenário do espetáculo
guto muniz / divulgação
Bilhetes escritos por espectadores compõem o cenário do espetáculo

Em 2012, a equipe da Mimulus Cia. de Dança decidiu criar um espetáculo em homenagem aos 20 anos do grupo. À época, porém, não sabiam o que fazer ao certo. Dois anos depois, retomaram a proposta ancorados na ideia de memória sugerida pelo livro “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, e assim nasceu “Pretérito Imperfeito”, que volta ao cartaz hoje, pela Campanha de Popularização do Teatro e da Dança.

A inspiração da obra literária, no entanto, não era o suficiente, conforme conta diretor da peça, Jomar Mesquita. “Somente a ideia do livro nos pareceu fraca para transpor à dança. Por isso, usamos também a questão de que a companhia tem uma longa história e começamos entrevistar pessoas que já trabalham e estudaram conosco”.

O resultado, portanto, é um espetáculo cujos movimentos bebem de múltiplas fontes. “Basicamente, o que fazemos é desconstruir a dança de salão, que é composta por diversos estilos, até chegar em outro lugar. Muitas pessoas dizem que isso é dança contemporânea, mas eu não gosto de rótulos. Penso apenas que fazemos dança”, afirma o diretor. A referência à trajetória do grupo, acrescenta ele, é fortalecida pela incorporação de elementos de outras montagens da companhia ao cenário e ao figurino deste trabalho.

Há também espaço para participação de integrantes do público, convidados a escrever bilhetes sobre algo que nunca esquecerão. Os papéis, em seguida, tornam-se parte do cenário, reforçando o caráter memorial da peça.

O título, “Pretérito Imperfeito, por sua vez, alude ao percurso da companhia e dos espectadores presentes. “Estamos tratando da vida real. Nela, nunca conseguimos a perfeição, e isso é natural. Além disso, o título aponta para algo que aconteceu e continua inacabado”, comenta Mesquita.   Serviço. “Pretérito Imperfeito”. Hoje, às 21h, e domingo, às 20h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro). R$ 15.

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