Juca Ferreira nomeia novo secretário

João Brant, que trabalhou com ministro na Secretaria de Cultura de São Paulo, criticou gestões anteriores

iG Minas Gerais |

Encontro. Na Bienal da UNE, Juca Ferreira reconheceu que a esquerda errou no poder
MARCOS DE PAULA
Encontro. Na Bienal da UNE, Juca Ferreira reconheceu que a esquerda errou no poder

SÃO PAULO. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, nomeou João Brant, 36, como secretário-executivo da Cultura, substituindo Ana Cristina Wanzeler. A nomeação foi publicada no Diário Oficial de ontem. 

Brant foi integrante do Intervozes (Coletivo Brasil de Comunicação Social), organização que defende o direito à comunicação no Brasil. Hoje é membro afastado do grupo. Tem mestrado em regulação e políticas de comunicação pela London School of Economics and Political Science e é doutorando em ciência política na Universidade de São Paulo.

De agosto de 2013 até o fim de 2014, foi assessor especial (o que significa coordenar a assessoria de gabinete) de Juca Ferreira na Secretaria Municipal de São Paulo.

Em maio de 2014, ao defender o voto para a presidente Dilma Rousseff (PT) em texto publicado no Facebook, Brant admitiu que em sua gestão, na cultura, houve retrocessos notáveis em relação ao governo Lula. As ministras Ana de Hollanda e Marta Suplicy (PT) estiveram à frente no ministério na primeira gestão de Dilma. “A cultura no governo Dilma é aquém da grandeza que o Ministério da Cultura precisa, inclusive de ampliação do papel da cultura no projeto de desenvolvimento do país”, justifica o secretário.

Brant ressalta a necessidade de revitalizar a Funarte, órgão de fomento às artes do Ministério da Cultura alvo de críticas, revisar a Lei de Direitos Autorais e rediscutir a política de financiamento da cultura. “Acho que isso passa por uma revisão da Lei Rouanet, mas precisa ir além. Precisamos pensar o que é a produção cultural no século XXI, e boa parte (dela) se dá via internet”, afirmou.

O novo secretário-executivo também enfatiza que, durante a sua gestão, pretende fortalecer a integração do setor da cultura entre Estados, municípios, setores produtores e cidadãos.

“Esquerda errou”. O ministro da Cultura reconheceu que a “esquerda errou muito no poder” e defendeu a retomada de “um projeto generoso” para o Brasil. Ele fez crítica ainda aos casos de corrupção envolvendo integrantes do governo. “Não podemos parecer com a direita. Nós não temos direito de acesso à corrupção”, afirmou Ferreira para uma plateia de estudantes universitários e do ensino médio que participavam da nova Bienal da União Nacional dos Estudantes, na Lapa, na última quarta-feira.

Muito aplaudido, Ferreira falava sobre o suposto crescimento da direita no Brasil. “A direita nunca foi tão forte no Brasil. Eles estão produzindo líderes que podem se tornar absolutamente perigosos. Eu seria hipócrita se não dissesse que a esquerda errou muito no poder. A corrupção é um mecanismo da direita, de desmoralizar o Estado, é uma maneira de garantir que a população desacredite nas lideranças, desacredite nos partidos, que não tenha esperança. Nós ajudamos nesse momento difícil que o Brasil está passando. Toda vez que a esquerda se parece com a direita, quem ganha é a direita. É preciso retomar rapidamente um projeto generoso, onde caibam todos os brasileiros e brasileiras”, afirmou.

Diante da principal demanda dos estudantes – a regulamentação da Lei da Meia Entrada –, disse que a questão estaria resolvida “se dependesse da uma canetada” sua. Mas não detalhou em que bases se daria essa regulamentação. “A meia entrada historicamente é o mecanismo para que a juventude tenha acesso à cultura. Houve evolução enorme nas negociações. Eu sugiro que a UNE entre em contato com a representação dos artistas porque é fundamental que essa regulamentação seja feita”, afirmou.

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