Esquema funcionou “até esta quinta”

PF deflagra mais uma fase da investigação e prende dois executivos de empresas ligadas à Petrobras

iG Minas Gerais |

Cerco. Agentes da Polícia Federal entram na empresa Arxo, do empresário Sérgio Ambrósio em SC
SALMO DUARTE
Cerco. Agentes da Polícia Federal entram na empresa Arxo, do empresário Sérgio Ambrósio em SC

Brasília. A nova frente de investigação da operação Lava Jato, que apura o pagamento de propinas na BR Distribuidora pela empresa catarinense Arxo, funcionou “até a data desta sexta”, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. “Eu diria que vai até a data desta quinta”, afirmou o procurador, que integra a força tarefa da operação responsável pela investigação de corrupção na Petrobras.  

A BR Distribuidora é a subsidiária da Petrobras que atua na distribuição, comercialização e industrialização de produtos de petróleo e derivados, além de atividades de importação e exportação. Segundo a petroleira, a empresa tem mais de 7.000 postos de combustível, a maior rede do país. Já a Arxo, sediada em Piçarras (litoral norte de Santa Catarina), produz tanques para armazenamento de combustível, e era fornecedora da BR Distribuidora. Ela ainda tem contratos em andamento com a estatal.

Segundo o procurador, a nona fase da Lava Jato, deflagrada nesta quinta, começa a descobrir um amplo leque de empresas envolvidas em corrupção. “Saímos do núcleo empreiteiras. É muito mais variado do que isso”, declarou Lima. Na sétima fase da Lava Jato, deflagrada em novembro, executivos de grandes empreiteiras do país foram presos.

A investigação, que agora identificou 11 novos operadores do pagamento de propinas na Petrobras e na BR Distribuidora, mostrou um esquema de corrupção “muito vasto”, de acordo com o procurador.

Dois dos executivos da Arxo foram presos temporariamente, sob suspeita de pagamento de propina à estatal – Gilson João Pereira, sócio e presidente da empresa, e Sérgio Ambrósio Maçaneiro, um dos seus diretores. Outro sócio da Arxo, João Gualberto Pereira Neto, que também tem mandado de prisão preventiva contra si, está nos Estados Unidos, e tem retorno aguardado ao Brasil. Um quarto mandado de prisão, contra um operador do esquema que vive no Rio de Janeiro, ainda não havia sido cumprido até a publicação desta reportagem.

A expectativa, agora, é que outras empresas envolvidas no esquema procurem o Ministério Público Federal para prestar informações sobre o caso, comentou o procurador.

A Arxo soltou uma nota afirmando que está “prestando as informações solicitadas pela Receita e Polícia Federal”. “A intenção da empresa é contribuir com o trabalho das autoridades”, afirma a nota. As atividades administrativas da empresa foram suspensas, mas a produção da fábrica continua em andamento.

A BR Distribuidora afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda não foi comunicada oficialmente por nenhuma autoridade de ação relativa à operação Lava Jato.

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