Ataques do regime sírio deixam mais de 66 mortos em zonas rebeldes

Os ataques da Força Aérea visaram principalmente as localidades a leste de Damasco

iG Minas Gerais | AFP |

Ataques deixam 66 mortos na Síria
ABD DOUMANY / AFP
Ataques deixam 66 mortos na Síria

Ao menos 66 pessoas morreram nesta quinta-feira em bombardeios do governo sírio contra zonas controladas pelos rebeldes perto de Damasco, em resposta a um ataque com morteiros lançado pelos insurgentes, informou uma ONG.

Os ataques da Força Aérea visaram principalmente as localidades a leste de Damasco, segundo um novo balanço do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Entre as 66 vítimas, 12 eram crianças.

Já os disparos dos rebeldes mataram 10 pessoas, incluindo um policial, na capital.

Trata-se de um dia particularmente sangrento na periferia de Damasco, que foi alvo de mais de 60 ataques aéreos do regime. Quanto à capital, 120 foguetes foram lançados pelos insurgentes, o que fez com que a Universidade de Damasco suspendeu suas aulas e convidou os estudantes a voltar para casa.

No início da semana, os rebeldes do grupo Jaish al-Islam prometeram bombardear Damasco em represália aos ataques diários do regime de Bashar al-Assad na província da capital, reduto dos rebeldes.

Os ataques do regime também deixaram 140 feridos em Duma, Erbine, Kafar Batna e Ain Tarma, quatro localidades da região rebelde de Ghuta Oriental, a leste de Damasco, de acordo com a ONG.

O fotógrafo da AFP em Duma viu vários feridos sendo transportados para hospitais de campanha, crianças aterrorizadas e homens em lágrimas. "A situação é realmente muito ruim, porque falta de tudo. Um médico e vários maqueiros foram feridos", relatou.

O regime fez estes ataques em resposta à ofensiva dos rebeldes sírios, que dispararam nesta quinta-feira uma chuva de morteiros sobre Damasco.

Segundo o OSDH, ao menos 120 morteiros lançados pelos rebeldes caíram sobre bairros da capital, alguns deles centrais, a partir das 08h00 locais.

"Em apenas alguns minutos, nossa rua, muito movimentada, ficou vazia", declarou à AFP uma moradora de Baramké, um bairro do centro da cidade onde se localizam várias universidades e a sede da agência oficial Sana.

A Ghouta oriental, principal região rebelde da província de Damasco, sofre há mais de um ano um cerco impiedoso do exército. Neste setor situado a leste de Damasco dezenas de milhares de civis são afetados pela escassez de comida e medicamentos.

Na província de Hassaka (noroeste), a coalizão internacional anti-jihadista liderada pelos Estados Unidos prosseguiu com seus ataques aéreos, matando ao menos 10 membros do grupo Estado Islâmico (EI), reportou o OSDH.

Esses ataques atingiram depósitos de armas e de explosivos.

Desde o verão de 2012, a aviação síria ataca as zonas rebeldes. As organizações de defesa dos direitos humanos acusam as forças armadas de bombardear alvos civis e militares de forma indiscriminada.

Mais de 200.000 pessoas morreram na Síria desde que, em março de 2011, a brutal repressão de uma revolta popular contra o regime se converteu em guerra civil.

O conflito se complicou com o surgimento de grupos jihadistas que lutam tanto contra as forças pró-governamentais quanto contra os grupos rebeldes.

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