Eduardo Cunha assina criação de nova CPI para investigar Petrobras

O próximo passo será a indicação dos membros pelos partidos, seguida pelo agendamento da sessão de instalação da comissão

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Governo não reconhece Cunha como desafeto, dizem ministros
Wendel Lopes / PMDB
Governo não reconhece Cunha como desafeto, dizem ministros

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), assinou nesta quinta-feira (5) o ato de criação de uma nova CPI na casa para investigar as irregularidades na Petrobras.

O próximo passo será a indicação dos membros pelos partidos, seguida pelo agendamento da sessão de instalação da comissão.

A CPI terá 27 integrantes e deve ser dominada pela base governista.

O governo é contrário a uma nova apuração sobre irregularidades na estatal, pois acredita que isso teria potencial para ampliar o desgaste da empresa e do Planalto, além de ainda servir de palco para a oposição.

Assistiu, porém, a 52 deputados governistas viabilizarem o pedido para a CPI, ao lado da oposição. Ao todo, 182 deputados assinaram o requerimento. Para a comissão ser viabilizada, são necessárias 171 assinaturas.

TRAIÇÃO A nova traição partiu de deputados de oito partidos com representantes no primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff. Além dos oposicionistas, parlamentares do PDT (14), PSD (12), PMDB (10), PR (7), PP (5), PRB (2), PTB (1) e Pros (1) assinaram o requerimento.

Nesta quarta (4), Cunha afirmou que a saída da diretoria da Petrobras, acertada para a sexta (6), era necessária para a empresa passar por "oxigenação", ganhar a credibilidade do mercado e sair das páginas policiais".

O peemedebista disse ainda que a Petrobras é "um assunto hoje que precisa ser passado a limpo" e que a avaliação não se tratava especificamente da presidente da estatal, Graça Foster.

"Não que se tenha nenhuma queixa ou culpa a ex-presidente Graça Foster, mas que ela [a estatal] precisava ter uma oxigenação para ganhar a credibilidade do mercado e sair das páginas policiais não há a menor dúvida", afirmou.

A CPI tende a ser um dos assuntos discutidos na reunião que o deputado deve ter nesta quinta com Dilma, seu vice, Michel Temer (PMDB), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A ideia é reconstruir as pontes após a ofensiva fracassada do governo para esvaziar a candidatura de Cunha.

Segundo aliados, Dilma não deve fazer um pedido explícito sobre a CPI, mas fará um aceno ao peemedebista, deixando claro uma espécie de pacto de boa convivência.

Ele defende que seja instalada uma CPI mista, com deputados e senadores, mas sinalizou que vai autorizar a investigação da Câmara.

Cunha foi citado por investigados na Operação Lava Jato. Ele nega qualquer envolvimento com o esquema.

MOVIMENTAÇÃO Na eleição de Cunha para o comando na Câmara, há consenso que dissidências no PR, PDT e PSD ajudaram a impor a derrota ao Planalto.

Governistas dizem que o movimento em siglas da base foi motivado para pressionar o governo sobre demandas para indicação de aliados em cargos do segundo escalão.

A criação da CPI mobilizou a nova liderança do governo na Casa. José Guimarães (PT-CE), que assumiu o posto na terça (3), reuniu oito partidos e cobrou unidade na base.

De acordo com os relatos, o petista evitou enquadrar os aliados, mas reforçou a necessidade de entendimento.

Isolado na Casa, o PT também decidiu reagir e apresentou outros de CPIs. A estratégia é bloquear a fila para impedir que os pedidos da oposição ganhem espaço.

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