Governo atrasa repasse e prejudica escolas de alunos especiais em BH

Segundo pais e diretores de instituições, desde 2014 verbas não são liberadas; para que estudantes não fiquem sem atendimento, uma das escolas chegou a pedir empréstimo a banco

iG Minas Gerais | CAROLINA CAETANO |

O atraso da Coordenadoria Especial de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência (Caade), governo de Minas, em repassar verbas para pais de alunos com necessidades especiais está comprometendo as atividades de algumas escolas particulares de Belo Horizonte. Na manhã desta quinta-feira (5), cerca de 50 pais protestam na porta de uma dessas instituições no bairro Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

O filho da autônoma Márcia Magalhães, de 48 anos, frequenta uma escola do bairro Planalto, na região Norte da capital, em horário integral, mas, desde agosto de 2014, ela não recebe a bolsa que o adolescente de 17 anos tem direito. “Meu filho não fala e precisa de muitos cuidados. Ele fica na escola em tempo integral. A mensalidade é R$ 752, mas não tenho condições de pagar e preciso desse dinheiro”, contou a dona de casa.

Márcia e outros pais resolveram protestar na porta da Escola Especializada em Atendimento a Pessoas com Deficiência Ser Especial, no bairro Serra. A instituição, segundo a diretora Viviane Câmara Pereira, atende 13 bolsistas.

A escola está sem receber desde outubro. “O dinheiro não passou o dinheiro para os pais, que também não têm condições de pagar a escola. Fomos informados que os pagamentos vão voltar só em maio. É muito tempo e fica difícil esperar. Vivemos da mensalidade”, explicou a diretora.

A diretora disse que os serviços aos alunos não foram afetados, mas a escola está prejudicada sem o dinheiro. “Não vamos fechar as portas para os meninos, mas, para arcar com as despesas, a escola teve que pedir empréstimo em banco e entrou no cheque especial. Virou uma bola de neve e, mesmo assim, não conseguimos quitar tudo. Os salários dos funcionários estão atrasados”, desabafou Viviane.

Na escola comandada por ela, os alunos têm à disposição terapia ocupacional, pedagogia, oficinas de arte, musicoterapia, psicologia, entre outras atividades. “Não queremos que os alunos fiquem em casa sem fazer nada. Eles precisam se movimentar e o tratamento é essencial”, explicou a diretora.

A reportagem de O TEMPO fez contato com a Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), responsável pela Caade, que ficou de apurar o caso. 

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