Aversão aos candidatos do bolso de colete

iG Minas Gerais |

Tenho aversão, mormente quando se travam batalhas no campo político, do candidato do bolso de colete. Contou-me saudoso amigo que, em conversa com o presidente Castelo Branco, nos idos de 1966, este, comentando sobre candidatos a sua sucessão, revelou que não tinha nomes a indicar, muito menos patrocinaria candidato do bolso de colete, acrescentando que tal postulante não lhe merecia acolhimento porque, antes de tudo, não caberia no seu bolso; caso assumisse seu tamanho, simplesmente demonstraria que era menor que seu reduzido formato.

Lembro-me de que a confidência me trouxe à mente o nome de jovem e promissor político mineiro, figura central do famoso jardim de infância do presidente Afonso Pena, que, ao elevá-lo à presidência da Câmara dos Deputados, não se incomodou com a interpretação aparentemente óbvia que o mundo político deu à escolha. O delfim, realmente, atraía investimentos, pois tinha estofo para ocupar o mais alto cargo da República, exceto tempo de militância, aquilo que, depois, os pessedistas denominaram “sargenteação” e que o prócer da Mata mineira ainda não completara. Logo a seguir, o imprevisto cuidara do resto com o falecimento inesperado de Afonso Pena, vitimado por uma gripe irrelevante, mas fatal. Sadio e sem nenhuma gripe, o ex-presidente Lula enveredou-se pelo mesmo erro. Avesso à história, que conhece pouco e mal, não conseguiu escapar a graves equívocos, como o de pinçar a dra. Dilma, cujos resultados causam-lhe dissabores e problemas que nem a ex-primeira-dama alivia, a despeito da fidelidade ao marido que, segundo as más línguas, não costuma encontrar reciprocidade. O que acabou acontecendo veio naturalmente, como a água que escorre da fonte. A sua vitória nas eleições incutira-lhe a convicção de que era um predestinado, um grande homem, da estatura que Stendhal conferira a Napoleão. Poderia subjugar a nação em qualquer circunstância. O Nosso Guia assim atravessou a primeira parte do primeiro mandato. Recebeu até um “that’s the guy” de Obama. Escorado nos ministros da Fazenda e no presidente do Banco Central, livrou-se das bobagens do PT, dos “desenvolvimentistas” e das esquerdas radicais. Praticamente nada mudou do antecessor. Ganhou prestígio internacional, mudou a pasmaceira do Itamaraty, ampliou a popularidade, manipulou o marketing político, achou graça na corrupção à solta. Dono da bola, empurrou goela abaixo a dra. Dilma sem lenço e documento, por sinal, provinciana, mandona e despreparada, economista de ocasião, um desastre, enfim. Leniente, permitiu que a Petrobras, orgulho dos brasileiros, monumento emblemático da nacionalidade, fosse assaltada aqui e alhures. “E la nave è andata. Ritornerà?” Quando Lula e o PT assumiram o poder, o Brasil ia longe, depois de sofrida arrumação que parecia nunca acabar. Para compensar desesperanças e frustrações, criou-se o mito do gigante que chegaria aos cumes das suas potencialidades. Criaram o “ame-o ou deixe-o”. E agora, quem é o estorvo?

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