O ano será extremamente difícil para a presidente Dilma

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DUKE
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Nesse último domingo, ouvi pela televisão os discursos dos candidatos a presidente do Senado e da Câmara Federal. Assisti, também, ao desenrolar das eleições das Mesas Diretoras das duas Casas Legislativas, que, embora severamente criticadas pelos adversários da democracia representativa, são absolutamente indispensáveis ao regime que os brasileiros elegeram, já sedimentado ou em franca sedimentação. As formalidades estabelecidas nas eleições desses legislativos retardam o fim dos trabalhos. Todavia, sobre isso, não vejo motivo para diatribes ou críticas. Tais formalidades, além de tradicionais, colaboram para dar a esses eventos cívicos um mínimo de segurança e, talvez, de nobreza. Tudo, pois, pelo bem do nosso regime democrático! Enquanto assistia, realmente atento, ao desenrolar de um desfecho previamente definido, refleti bastante e, finalmente, me fiz a seguinte arguição: uma presidente que, na economia, tomou medidas desastrosas; uma presidente que, na política, demonstrou não ter nenhum apetite; uma presidente que, na reeleição, permitiu o uso de evasivas e mentiras; uma presidente que transformou um marqueteiro em superministro; que resultado poderia esperar das eleições, no Senado e na Câmara? Dilma (cuja preocupação, desde o início, foi a de ser chamada de “presidenta”) demonstrou, ao longo de quatro anos, despreparo para o exercício da função que lhe caiu de graça nas mãos. No Senado e na Câmara, Dilma foi assessorada por dois verdadeiros trapalhões: Aloizio Mercadante e Pepe Vargas, apelidados pelos companheiros de “Freddie Mercury” e “Pepe Legal”. No Senado, a presidente obteve uma pseudovitória. Se Luiz Henrique tivesse se apresentado um pouco antes, a coisa seria outra. (Lembrando Pirro, uma “vitória” que poderá levá-la, senão ao cadafalso, pelo menos – e definitivamente – à ruína política). Na Câmara, o peemedebista Eduardo Cunha, que, formalmente, pertence à base governista, obteve 267 votos – quase o dobro do que obteve o candidato do governo, Arlindo Chinaglia, com 136 votos. Júlio Delgado, do PSB, que teve o aval do PSDB, obteve cem votos. Isto é: o governo perdeu feio, de maneira humilhante, e, por isso, vai ter que rebolar. Vai ter que fazer concessões até para o diabo, o que poderá complicar ainda mais o mandato da ocupante do Palácio do Planalto, já (quase) comprometido pela incrível roubalheira na Petrobras. Veja bem, leitor: além dos problemas por que passa o país – na economia, na educação, na saúde, na mobilidade urbana, na volta da inflação, nos transportes, no aumento do desemprego, na infraestrutura, na falta de água, na falta de energia etc., que envolvem a responsabilidade direta do atual governo –, a presidente terá que explicar o que de fato aconteceu, durante anos, na Petrobras; e, de lambuja, ainda correrá o risco de um impeachment, analisado, recentemente, em longo e minucioso parecer, pelo ilustre jurista Ives Gandra da Silva Martins. Anteontem, em artigo na “Folha de S.Paulo”, Gandra esclareceu que, no seu parecer, analisou apenas a hipótese de culpa: “À luz desse raciocínio, exclusivamente jurídico, terminei o parecer afirmando haver, independentemente das apurações dos desvios que estão sendo realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público (hipótese de dolo), fundamentação jurídica para o pedido de impeachment (hipótese de culpa)”. O jurista esclareceu, todavia, que o julgamento do impeachment é sempre mais político do que jurídico. Valha-nos Deus e… são Pedro!

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