Delator doou para deputados gaúchos do PT e do PSDB

Objetivo era agradar identificados com a causa das firmas

iG Minas Gerais |

Ex-líder do governo, Henrique Fontana foi citado por executivo
GUSTAVO LIMA
Ex-líder do governo, Henrique Fontana foi citado por executivo

São Paulo e Curitiba. O executivo Augusto Ribeiro Mendonça, da Setal Engenharia, Construções e Perfurações, afirmou em seu depoimento à Justiça Federal que fez doações e também pediu contribuição à construtora Engevix para Henrique Fontana e Adilson Troca, candidatos a deputado do Rio Grande do Sul do PT e do PSDB, respectivamente. Os parlamentares teriam ajudado na instalação de estaleiros no Estado. “O que eu havia colocado para o Gerson (Almada, executivo da Engevix) é que como nós, que temos estaleiro no Rio Grande do Sul, precisávamos apoiar deputados que eram identificados com a causa e que auxiliaram, em muito, a nossa instalação no Estado. Um era do PT, Henrique Fontana, e outro era do PSDB, Adilson Troca”, afirmou Augusto Mendonça.  

Questionado por um advogado se ele lembrava o valor que foi doado às campanhas, o executivo afirmou que a Setal contribuiu com aproximadamente R$ 150 mil. “Não lembro direito, entre R$ 100 mil e R$ 150 mil”.

Segundo a Justiça Eleitoral, Fontana e Troca receberam, nas campanhas de 2014, R$ 50 mil e R$ 60 mil, respectivamente, da Toyo Setal (formada pela empresa do delator).

O delator afirmou, porém, que os valores doados para os dois candidatos não foram feitos em troca de contratos vencidos por acerto ou pagamentos de propina, como no caso das obras das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, alvo central da operação Lava Jato.

“Só queria deixar claro que esse assunto não tem absolutamente nada a ver com o tema que estamos discutindo aqui”, afirmou o delator, ao ser ouvido pelo juiz federal Sérgio Moro. “É uma atividade que não tem nada a ver com diretoria de Abastecimento da Petrobras, aonde nunca discutimos em ‘clube’, nunca houve esse acerto”, explicou ele.

Pedido. Mendonça afirma ter ligado pessoalmente para o executivo da Engevix, réu da Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, preso desde o dia 14 de novembro de 2014 – para pedir doação aos dois parlamentares. “Esse é um tema muito discutido e delicado. Houve discussões de leis no Congresso, quando se discutiu partilha, e a contribuição de parlamentares nessa discussão sempre foi muito importante”, justificou Mendonça.

Venina é dispensada de audiências Curitiba. A ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca, que acusou a atual diretoria da estatal de ter conhecimento de desvios e superfaturamentos em obras da empresa, foi dispensada de prestar novos depoimentos nas ações penais da Lava Jato. A dispensa foi solicitada pelo próprio Ministério Público Federal, que considerou que ela pouco esclareceu sobre os fatos apurados. No ano passado, Venina Velosa deu declarações à imprensa afirmando ter alertado Graça Foster sobre as irregularidades desde 2007.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave