Do hip hop aos passos clássicos do balé romântico

Surgida em 2013, a montagem partiu de uma vontade pessoal das duas diretoras em expressar um sentimento de vazio construído sobre a pilastra da insegurança sobre o futuro

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Cia. de Dança Palácio das Artes reapresenta ocupação performática
Paulo Lacerda
Cia. de Dança Palácio das Artes reapresenta ocupação performática

Estreiam no Verão de Arte Contemporânea dois espetáculos de dança nesta sexta: “Quando efé”, da Cia Fusion de Danças Urbanas, e “brancoemMim”, da Cia do Palácio das Artes. Em comum entre eles, apenas as grafias atípicas dos títulos e a data de estreia. Enquanto o primeiro tem como base o hip hop, o segundo é inspirado em movimentos dos balés românticos.

“Quando efé”, conta o diretor Leandro Belilo, faz referência a uma expressão popular homófona – “quando é fé” – dita por sua mãe e sua avó que significa “de repente”. Segundo ele, o termo expressa bem o processo de criação da peça que une o hip hop à manifestações culturais de Minas Gerais. “Quando estávamos pesquisando sobre a memória do Estado, descobrimos que haviam muitos conectores entre essa história e as danças urbanas”, conta.

O processo de criação durou cerca de dez meses, e a maior parte de conexões estabelecidas, diz o diretor, aconteceu enquanto o grupo teve aula com o professor da UFMG especializado em memória e identidade do Vale do Jequitinhonha Reinaldo Marques. “À medida que assistíamos às aulas, tudo foi clareando de uma maneira que conseguimos entender como abordar o assunto na dança sem limitar a diversidade que há aqui. Caíamos naquela velha frase que diz: ‘Minas são várias’”, lembra.

Em meio a essa pluralidade, conseguiram direcionar os objetivos para a ordem prática e criar a cenografia que mistura passos do hip hop com congado, quadrilha e danças dos quilombolas. “Mas não é nada explícito”, garante Belilo, ao afirmar que a miscelânea foi sutil para manter um ritmo.

Embora o grupo seja de dança de rua, a peça de 58 minutos foi criada para os tradicionais palcos italianos e conta com um cenário simples, composto por um conjunto de quadros e tecidos estendidos sobre o fundo.

Performance. Já a ocupação performática da Cia de Dança do Palácio das Artes “brancoemMim” realiza experimentações baseadas em movimentos do balé romântico. O espetáculo concretiza-se por meio de cinco bailarinas (uma é o cisne, outras três são willis – espíritos de princesas que vagam pelo espaço – e uma é a personificação do feminino) vestidas de branco.

“Escolhemos essa cor por remeter a grandes clássicos e como uma forma de destacar as bailarinas no museu, que é muito colorido e tem muitas informações”, justifica Sônia Mota, que, ao lado de Cristina Machado, assina a dramaturgia e a direção.

Surgida em 2013, a montagem partiu de uma vontade pessoal das duas diretoras em expressar um sentimento de vazio construído sobre a pilastra da insegurança sobre o futuro. Um sentimento bastante comum entre os seres humanos. “É aquele momento que pensamos: ‘O que fazer agora?’”, diz Sônia.

Somado a isso, a ocupação fulgura também como uma reverência a profissionais da área – bailarinos e coreógrafos – como Nijinsky, Ana Pavlova, Pina Baush e Isadora Duncan.

‘BrancoemMim’ Quando. Nesta sexta e sábado, às 15h, e domingo às 11h Onde. Memorial Minas Gerais Vale (praça da Liberdade, s/n) Quanto. Entrada franca

“Quando efé” Quando. Nesta sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h Onde. Teatro Oi Futuro (av. Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras) Quanto. R$ 16 (inteira)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave