God save the kings!

Aclamação de Benedict Cumbetbatch, Eddie Redmayne e Jack O’Connell revela atores ingleses como a bola da vez

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

 O’Connell, que quer ser o novo Marlon Brando.
Universal / Divulgação
O’Connell, que quer ser o novo Marlon Brando.

Hollywood viu uma boa safra de jovens astros despontar em 2014. Channing Tatum provou que é mais que um corpinho bonito, tendo muito talento no lance, em “Foxcatcher”. Chris Pratt surgiu como uma montanha de músculos e carisma em “Guardiões da Galáxia”, capaz de oferecer personalidade e tempero à próxima fornada de blockbusters genéricos. Mas se você olhar para a cara deles, fica claro que é impossível aceitar os dois como um gênio, um político ou qualquer ser pensante. Eles são homens de ação – quanto menos abrirem a boca, melhor.

É por isso que, desde Laurence Olivier, quando o cinema norte-americano precisa de atores de verdade – formação teatral, ousadia, talento e versatilidade, do padre ao herói, ao vilão, ao gay, ao professor –, ele recorre aos ingleses. E a atual temporada do Oscar, com as indicações de Benedict Cumberbatch, por “O Jogo da Imitação” (leia crítica na página 5); Eddie Redmayne, por “A Teoria de Tudo”; e a revelação de Jack O’Connell, por “Invencível”, mostra como os britânicos são, mais do que nunca, a bola da vez.

O Nobre. O fato de que eles associam todo esse talento a rostos que “misturam uma lontra a algo que as pessoas acham vagamente atrativo” não atrapalha. A descrição é do próprio Cumberbatch, cujo sarcasmo inglês autodepreciativo deixa claro por que ele é o principal espécime dessa safra. O ator é o britânico por excelência: família nobre, estudou num colégio interno só para meninos, ensinou inglês num monastério tibetano por um ano, completou o mestrado em atuação clássica na escola dramática mais antiga da Inglaterra e ganhou uma série de prêmios no teatro.

Isso tudo antes de atuar em quatro filmes indicados ao Oscar – “Desejo e Reparação”, “Cavalo de Guerra, “12 Anos de Escravidão” e “O Jogo da Imitação” – e se tornar um ídolo nerd como o protagonista da série de TV “Sherlock” e suas atuações em “O Hobbit” e “Além da Escuridão – Star Trek”. Numa época em que não existem mais astros, apenas franquias, Cumberbatch – com sua voz grave, seus olhos bicolores e especialmente seu sobrenome peculiar – se tornou uma marca vendável mundialmente. Seus fãs se autodenominam “cumberbitches”. Quando ele divulgou que iria se casar, era o “cumberwedding”. E seu filho recém-anunciado é o “cumberbaby”.

“Soa como um peido num banheiro”, brincou o ator sobre o próprio sobrenome. É por essas e outras que a cultura pop se apaixonou pelo inglês. É como se a condessa viúva de “Downton Abbey” e George Clooney tivessem um filho e ele fosse perfeito.

O Plebeu. Não por acaso, Cumberbatch foi batizado de “namoradinho da internet”. Com seu casamento iminente, porém, as fãs devem ter que se contentar com a alternativa mais próxima. E ela é Eddie Redmayne. Filho de família operária, ele foi encorajado a estudar teatro desde criança, o que levou a uma graduação em história da arte em Cambridge e a uma vaga no National Youth Music Theatre inglês.

Essa experiência rendeu frutos quando o ator ganhou o papel do mocinho na aclamada versão de “Os Miseráveis” no cinema, dirigida por Tom Hooper. Antes disso, porém, ele já havia chamado a atenção como o filho de Julianne Moore no incestuoso “Pecados Inocentes” e o assistente de produção apaixonado pela diva em “Sete Dias com Marilyn”. Mas foi ao fazer o Daniel Day-Lewis completo em “A Teoria de Tudo” que o inglês se afirmou no grande escalão – e, se o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos Atores forem um sinal, pode levar o Oscar antes do amigo mais famoso, Cumberbatch.

Além da biografia de Stephen Hawking, Redmayne chega aos cinemas da capital hoje como o vilão de “O Destino do Júpiter”. Com o blockbuster, Hollywood quer ver quanto dinheiro pode fazer com os cabelos ruivos e os dentes tortos do rapaz.

O rebelde. Se Cumberbatch e Redmayne são, respectivamente, para casar e namorar, Jack O’Connell é o camarada para tomar uma cerveja no pub. Filho de pai irlandês e mãe inglesa, ele queria ser jogador de futebol, mas atuar acabou servindo para tirar o rapaz das más companhias das ruas de Alvaston, na Inglaterra.

O passado nas ruas teve sua utilidade, porém, quando o ator foi escalado como um adolescente problemático na série “Skins”, popular no Reino Unido. A autenticidade de O’Connell no papel levou ao jovem criminoso recém-chegado na prisão que protagoniza o excelente drama “Starred Up”. O longa independente chamou a atenção de Angelina Jolie, que buscava um ator que unisse a beleza clássica de um herói de guerra a uma experiência com seu lado negro e rebelde para viver Louie Zamperini em seu “Invencível”.

Tatuado e ambicioso, O’Connell já afirmou que quer ser um novo Marlon Brando e tem planos de dirigir no futuro. Seus próximos trabalhos incluem “The Man Who Killed Dom Quixote”, de Terry Gilliam, e o drama “Money Monster”, dirigido por Jodie Foster e estrelado por George Clooney e Julia Roberts. Como um bom inglês, ele pensa, age, atua – e não está para brincadeira.

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