Estatal recupera R$ 24 bilhões

Anúncio da troca de comando na diretoria impulsionou ganhos da companhia na Bolsa de Valores

iG Minas Gerais |

Bolso. 

Trabalhadores da Alumini, prestadora de serviço da Petrobras, protestam contra atrasos nos salários
MARCOS DE PAULA
Bolso. Trabalhadores da Alumini, prestadora de serviço da Petrobras, protestam contra atrasos nos salários

São Paulo. A confirmação da saída de Graça Foster da presidência da Petrobrás impulsionou os ganhos da companhia na Bolsa e fez com que a estatal compensasse as perdas desde o início do ano. Nesta quarta, a petroleira encerrou o pregão com valor de mercado de R$129,81 bilhões, conforme levantamento da consultoria Economática para o jornal “O Estado de S. Paulo”. Até o fechamento do dia 30 de janeiro, o valor de mercado da companhia era R$ 105,662 bilhões.  

O que pesava na conta da Petrobras eram os números não auditados de seu divulgado com atraso de mais de dois meses, e a estimativa das perdas com corrupção, cálculo excluído do balanço pelo Planalto.

Entretanto, o quadro se inverteu com rumores de uma mudança no comando da petroleira e, na terça-feira, ações da estatal dispararam e registraram alta de 15%, o que já foi suficiente para compensar as perdas de janeiro. Em alta nos últimos três pregões,as ações já acumularam alta de 23,13% (ordinárias) e 22,49% (preferenciais, sem direito a voto). Em janeiro, os papéis tinham caído, respectivamente, 16,16% e 18,36%.

A renúncia de Graça Foster, comunicada nesta quarta, fez com que os papéis da Petrobras tivessem alta de 1,12% (ON, cotadas a R$ 9,90) e de 0,20% (PN, cotadas a R$ 10,02). Entretanto, os investidores ainda aguardam definições sobre o futuro da estatal. Uma reunião do conselho de administração na sexta-feira deve definir o novo comando da companhia.

O desempenho da companhia também impulsionou os ganhos do Ibovespa, que fechou nesta quarta aos 49.301,05 pontos, alta de 0,69%.

Análise. Na avaliação de Elad Victor Revi, analista da Spinelli Corretora, os investidores esperam por mudanças, e por isso a forte volatilidade nas ações da estatal. “O mercado trabalha na expectativa de mudança, mas ainda considero muito cedo especular sobre quais poderiam ser essas mudanças e o impacto disso”, avaliou.

“Independente de quem vier assumir o controle da empresa, é importante lembrar dos problemas atuais, como: alto endividamento, problemas para liberação do balanço e possibilidade de execução antecipada de parte de sua dívida, possível perda do grau de investimento pelas agências internacionais, o que dificultará novas captações de recursos, e a queda no preço do petróleo”, avaliaram os analistas da Yield Capital.

“Os executivos escolhidos para os cargos, se forem nomes do mercado, provavelmente se recusarão a assumir os postos sem o balanço auditado, para não correrem o risco de serem responsabilizados”, avalia o analista da Futura Investimentos, Adriano Moreno.

Evolução

Baixa. Após a saída de Graça, os papéis preferenciais da estatal chegaram a subir 7,80% e os ordinários, 8,27%. Em 12 meses, os papéis preferenciais caem 28,9%. Os ordinários têm queda de 25,4%.

TRT

Alívio. O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, concedeu nesta quarta liminar à Petrobras suspendendo determinação anterior para que a empresa depositasse em 48 horas R$ 13 milhões como garantia do pagamento de salários e rescisões em atraso de 3.000 trabalhadores da Alumini Engenharia.

Prazo. A Petrobras teria até 14h desta quinta para depositar em juízo o valor exigido pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro.

Protesto. Nesta quarta, funcionários da Alumini fizeram um protesto em frente à sede da Petrobras, no Centro do Rio. Segundo os empregados, são três meses que os salários não são pagos, o plano de saúde foi cortado e o fundo de garantia deixou de ser depositado.

Itaú O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, está confiante que a Petrobras vai honrar suas dívidas no mercado, apesar das dificuldades que a empresa enfrenta em função das denúncias de corrupção e dos recentes rebaixamentos de nota de crédito por empresas de avaliação de risco. Para Setubal, o Tesouro Nacional pode, eventualmente, intervir se for preciso, colocando mais capital na companhia. O governo estima que todas as empresas citadas na operação Lava Jato tenham cerca de R$ 130 bilhões em empréstimos no sistema financeiro.

Renúncia não muda processo no TCU, diz Vital Brasília. O novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, tomou posse nesta quarta e já anunciou que levará a discussão sobre o bloqueio de bens de Graça Foster, agora ex-presidente da Petrobras, ao plenário da Corte de Contas na próxima semana. Ele irá avaliar as sugestões feitas pelo atual presidente do tribunal, Aroldo Cedraz, que propôs uma nova forma de calcular o prejuízo apontado no processo que apura a responsabilização da diretoria pela aquisição da refinaria de Pasadena (EUA). “De hoje em diante, minha primeira providência é dizer que vou pautar para a próxima semana”, anunciou Vital. Para Vital, a renúncia de Graça e de cinco diretores da estatal, não afeta o andamento do processo. O caso está parado no TCU desde agosto. A maioria havia se manifestado pela indisponibilidade dos bens da diretoria. Na ocasião, a votação foi encerrada com cinco votos contra o bloqueio de bens de Graça Foster e dois a favor.

SBM A SBM Offshore, empresa holandesa de aluguel de plataformas de petróleo investigada por pagamento de propina à Petrobras, reportou lucro líquido atribuído aos acionistas de US$ 575 milhões em 2014, segundo o padrão contábil internacional IFRS.

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