Estatal precisava de oxigenação para sair das páginas policiais

O peemedebista disse ainda que a Petrobras é "um assunto hoje que precisa ser passado a limpo"

iG Minas Gerais | Folhapress |

Governo não reconhece Cunha como desafeto, dizem ministros
Wendel Lopes / PMDB
Governo não reconhece Cunha como desafeto, dizem ministros

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quarta-feira (4) que a saída da diretoria da Petrobras era necessária para a empresa passar por uma "oxigenação", "ganhar a credibilidade do mercado e sair das páginas policiais".

O peemedebista disse ainda que a Petrobras é "um assunto hoje que precisa ser passado a limpo". Cunha afirmou que avaliação não se tratava especificamente da presidente da estatal, Graça Foster.

"Não que se tenha nenhuma queixa ou culpa a ex-presidente Graça Foster, mas que ela [a estatal] precisava ter uma oxigenação para ganhar a credibilidade do mercado e sair das páginas policiais não há a menor dúvida", afirmou o peemedebista.

Cunha foi citado por investigados pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. Ele nega qualquer ligação com o esquema.

O governo preparou um cronograma para as demissões do comando da Petrobras, mas diretores da estatal rejeitaram a ideia e pressionaram para que a saída ocorresse nesta quarta. Graça Foster, no entanto, conseguiu que as demissões fossem na sexta-feira (6), na reunião do Conselho de Administração.

A Petrobras emitiu comunicado nesta quarta informando que tanto Graça Foster quanto outros cinco diretores renunciaram ao cargo.

CPI

O presidente da Câmara deve analisar nesta quinta-feira (5) o pedido apresentado pela oposição, com apoio de parlamentares de oito partidos governistas, para a criação de uma nova CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar irregularidades na estatal.

Cunha vai avaliar se a CPI tem foco determinado para justificar a apuração, mas ele sinalizou que é favorável à investigação. O peemedebista defende que ocorra uma CPI mista, com deputados e senadores, mas disse que, como o pedido chegou à Câmara e tem previsão regimental, será avaliado.

"Eu não tenho que achar anda. Eu não tenho que achar nada. Petrobras hoje é um assunto que precisa ser passado a limpo e vai ser passado", afirmou.

O pedido de criação da comissão de inquérito teve apoio de 182 deputados. Além dos oposicionistas, parlamentares do PDT (14), PSD (12), PMDB (10), PR (7), PP (5), PRB (2), PTB (1) e Pros (1) assinaram o requerimento. Todas essas siglas estão representadas no primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff.

Não há mais prazo para a retirada de assinaturas --agora, a CPI só seria inviabilizada se 91 parlamentares retirassem o apoio em bloco.

A adesão dos governistas foi discutida numa reunião comandada pelo novo líder do governo, José Guimarães (PT-CE), com líderes governistas. Alguns partidos justificaram que houve um "cochilo". A tese, porém, foi questionada porque há apoio até do líder do PDT, André Figueiredo (CE).

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