Corte de verba gera polêmica

Nos bastidores, vereadores não escondem insatisfação com o fim do reembolso por compras

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Fim. 
Câmara formará comissão para regulamentar novo modelo que será usado para as licitações
Mila Milowski
Fim. Câmara formará comissão para regulamentar novo modelo que será usado para as licitações

Apesar de os vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) terem entrado em consenso sobre o fim da verba indenizatória, nos bastidores alguns parlamentares não escondem a insatisfação com a mudança para as compras licitadas. De acordo com conversa nos corredores da Casa, os vereadores “deixariam de meter a faca no dinheiro público”. O projeto de lei para alterar o modelo de custeio dos gabinetes recebeu número e parecer favorável da Mesa Diretora e pode ir à votação na próxima segunda-feira.

Oficialmente, os vereadores são unânimes em relação ao fim da verba indenizatória – recurso de R$ 15 mil mensais a que cada vereador tem direito para manter seu mandato e seu gabinete –, mas a proposta tem, na realidade, o objetivo de “acalmar” o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que questiona o atual sistema.

Um vereador, que pediu para não ser identificado, disse que alguns colegas estão insatisfeitos com a mudança definida pelo presidente da Câmara, Wellington Magalhães (PTN). “O Ministério Público já veio em cima de todos os vereadores, então acharam melhor mudar. Mas sabemos que tem vereador que não está gostando. Todos sabem que a verba indenizatória é uma oportunidade de ‘meter a faca’ no dinheiro do município. É só ver os gastos com gasolina e com gráficas. Um monte de esquema vai cair”, afirmou.

Por outro lado, o vereador Pedro Patrus (PT) nega que haja reclamações, mas argumenta que o projeto já protocolado precisa ser mais discutido. “Todos os vereadores querem o fim da verba. É uma discussão encerrada. No entanto, a oposição acha que a matéria apresentada é muito genérica. A sociedade precisa discutir mais o texto, que não fala da alimentação, por exemplo. Como vai ser?”, indagou o petista, que adiantou que a oposição irá se reunir nesta quarta para discutir a matéria.

O governista Ronaldo Gontijo (PPS) garante que o projeto da Casa é apropriado, apesar de não especificar detalhes do novo modelo. “O fim da verba é um ponto pacífico e é o que está descrito no projeto. Mas, assim que ele for aprovado, a comissão técnica vai definir o modelo. O conteúdo já está pronto”, afirmou Gontijo, que, junto com Daniel Nepomuceno (PSB), deve ser indicado para fazer parte do colegiado que irá definir o que será licitado.

Transparência

Menor. Ronaldo Gontijo acredita que o valor de R$ 15 mil para manter os gabinetes será diminuído. “A proposta da Casa é tornar o processo mais transparente e conter gastos. O valor será menor”.

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