Silvia Paschoalin

Diretora geral do Grupo Inova

iG Minas Gerais | Helenice Laguardia |

Por que você foi para uma área tão masculina?

É uma empresa familiar, fui criada no meio de caminhões, porque o meu pai começou tudo assim. Eu me formei em economia e tinha morado nove meses na Inglaterra. E, na volta, surgiu a oportunidade da concessionária Ford, há 18 anos. Adoro trabalhar no mercado masculino, apesar de tudo.

Apesar de tudo o quê? Há o inesperado em negociar comigo porque ninguém espera que seja com uma mulher. E isso surpreende e ajuda muito. É difícil encontrar mulher no mercado de máquinas, então, desarmo todo mundo. E eles precisam rever a estratégia, então, fica um pouco melhor para a gente lidar.

Nesse mercado de CEOs é díficil a presença feminina?

É muito difícil, mas tem crescido. Tenho muitas amigas empresárias femininas. Eu acho que talvez elas se expõem menos. Eu falo por mim, que tenho uma jornada diferente de um homem que é CEO. Quando estou trabalhando, a minha filha pode precisar de mim. É diferente essa distribuição de tarefas entre homem e mulher, a gente acaba tendo que assumir mais coisas. Eu, por exemplo, não fico muito a vontade de ter que ficar aparecendo, acho desnecessário. A minha vaidade é outra: é fazer a gestão de uma empresa de sucesso que é aquela que dá retorno de capital, gera emprego, dinheiro para os sócios, senão, não faz muito sentido. A mulher tem um jeito diferente de liderar.

Como é liderar com o olhar feminino?

É uma liderança mais intensa porque quando sento num ambiente para fazer uma reunião, negociar, dar uma palestra, ou falar com a equipe, eu não falo só sobre aquele assunto específico, vou acabar pensando na pessoa, eu sinto o clima, é tudo junto, o ambiente e isso, numa negociação, faz a diferença. A liderança feminina enxerga a equipe um pouco mais de forma humana. 

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