Novas roupagens de canções marcam sarau musical do Galpão

“De Tempos Somos” volta ao cartaz no Teatro Bradesco, como parte da Campanha de Popularização

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |



Peça inclui declamação de trechos de Antón Tchekhov e José Saramago
Guto Muniz
Peça inclui declamação de trechos de Antón Tchekhov e José Saramago

A história do grupo Galpão é alicerçada por diversos elementos cênicos e, nesse contexto, a música representa um dos seus principais pilares. Seja em “Romeu e Julieta” ou no mais recente “Gigantes da Montanha”, as canções integram a gênese das montagens. No ano passado, o grupo investiu nesse segmento com na concepção do sarau musical “De Tempos Somos”, que resgata o repertório musical e entra novamente em cartaz a partir de amanhã, como parte do Campanha de Popularização Teatro e Dança.

Apesar de o trabalho de concepção ter sido realizado todo em 2014, o flerte dos integrantes do grupo com a música começou há mais tempo. “Na verdade, no ano 2000 decidimos que era importante estudar música independentemente das peças, por isso começamos a construir um repertório e estudar a prática também em conjunto. Desde então, conversamos sobre criar um espetáculo musical”, conta Lydia Del Picchi, que, ao lado de Simone Ordones, assina a direção da montagem.

No decorrer dos anos, os workshops realizados pelos próprios integrantes do grupo deram o norte a “De Tempos Somos”. Segundo Lydia, é por meio deles que a companhia consegue transformar ideias em algo concreto. “Realizamos três workshops e decidimos que iríamos aproveitar 2014 para fazer o musical. Mas não tínhamos dinheiro, agenda nem projeto. Resolvemos fazer algo ‘feito em casa’”, conta a atriz ao ressaltar que a produção inteira foi feita por atores do grupo.

A direção musical ficou por conta de Luiz Rocha. Ele foi o responsável por grande parte das novas roupagens de clássicos do grupo. “Primeiramente escolhemos o repertório de acordo com a relação afetiva de cada um. Mas não queríamos que fosse um espetáculo saudosista, nem contar a história do grupo cronologicamente. Tentamos jogar uma luz para criar algo completamente novo”, diz Lydia.

O tom poético da obra é aguçado com trechos de textos, de Calderón de La Barca, Nelson Rodrigues e outros, declamados entre canções. “Fomos construindo coletivamente a peça, e nós atores precisamos de um texto para dar o chão”, brinca Lydia. “Mas a vedete da peça são as músicas”.

Agenda

O quê. “De Tempos Somos – Um Sarau do Grupo Galpão”

Quando. De amanhã a sábado, às 21h, e domingo, às 19h

Onde. Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, Lourdes)

Quanto. R$ 15 (inteira)

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