“Amalok, né?”

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Reprodução/Auto.Sohu.com
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No Salão do Automóvel de São Paulo, em 2012, assim que começou a coletiva no estande da chinesa Lifan, um sósia do conhecido comediante Mr. Bean tirou o pano que cobria o modelo destaque naquele espaço. Estava lançado o 320, cujas linhas mostravam uma clara e evidente inspiração no cobiçado carrinho esportivo Mini Cooper. Tarefa difícil de verdade era saber qual dos dois era mais parecido com o original: o ator que interpretava aquele papel no Anhembi ou o visual do Lifan 320, que remete ao que se vê no modelo inglês. Mas, se nesse caso o intento em fazer com que um se parecesse com outro não foi atingido, os chineses não brincam em serviço quando pretendem produzir uma cópia fiel de determinado modelo. Como é o caso do clone recente de dois modelos muito conhecidos do público brasileiro. Falamos do Evoque, utilitário-esportivo (SUV) da Land Rover, e da picape Amarok, da Volkswagen. Isso para concentrarmos em apenas dois modelos mais badalados, porque existem muitos outros exemplos similares. Começando pelo SUV inglês, seu “irmão gêmeo” ganhou, na China, o nome de X7, fabricado – ou copiado – pela Landwind. Em uma rápida passada de olhos, será preciso o joguinho dos sete erros para descobrir as diferenças que um e outro modelo guardam entre si. Durante o lançamento do Discovery Sport, conversamos com Dominic Chambers, diretor de comunicação da marca. O executivo declarou que, por enquanto, não comentaria sobre aspectos legais ou possíveis providÊncias que os ingleses tomariam para barrar a continuação da cópia do charmoso e desejado Evoque. Contudo, afirmou que não passa de uma aparência visual, e em nada essa cópia guarda alguma semelhança, seja em tecnologia ou segurança, com o modelo original. A título de informação, o chinês é empurrado por um motor Mitsubishi 2.0 de 190 cv e transmissão automática de oito velocidades. Já o motor do Evoque é um 2.0 turbo de 240 cv, e a transmissão automática tem nove marchas. Especula-se que uma importadora paulista independente comercializará o X7 no mercado brasileiro a um custo de 40% menor do que o valor sugerido pelo modelo britânico. E aposto que vai ter comprador. Mas, da Inglaterra para a Alemanha, outro modelo que é a cara de um e o focinho do outro, é a picape T7, feita pela chinesa Jiangling Motors, uma das três maiores da China e que tem parceria local desde 1997 com a Ford. É nítida a influência do desenho da VW Amarok. Vale ressaltar que, para disputar um lugar ao sol no gigantesco mercado chinês, simplesmente o maior do mundo, os fabricantes de automóveis de todo o mundo necessitam estabelecer uma joint venture com alguma fábrica local. E isto requer imediata transferência de know-how e tecnologia, o que, por certo, facilita aos engenheiros e designers chineses o acesso a projetos bem-sucedidos desenvolvidos no Ocidente. Mas, enquanto uns copiam, outros contratam profissionais para desenvolver uma identificação personalizada. Como fez a Chery, ao contratar a Pininfarina e a Bertone para criar o design dos modelos Cielo e Face. Outra que seguiu o exemplo e atua no Brasil é a JAC Motors, que fez valer sua parceria com a mesma Pininfarina e criou um centro de design em Turim, na Itália, e em Tóquio, no Japão. A máxima “nada se cria, tudo se copia” não pode e nem deve ter representatividade nessa seara.

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