Com novo motor, A4 e A5 são variações do mesmo tema

Agora equipados com motor 1.8 TFSI, sedã e cupê de quatro portas da Audi compartilham a mesma plataforma e o conjunto mecânico; eles se diferenciam apenas na proposta de uso

iG Minas Gerais | Luiz Humberto Pereira |

Audi A5 e A4 com novo motor 1.8 TFSI
Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias
Audi A5 e A4 com novo motor 1.8 TFSI

Não está fácil para ninguém. Mesmo no segmento premium, o menos afetado pela retração que atingiu o setor automotivo brasileiro no ano passado, a concorrência anda feroz. E os fabricantes não param de apresentar novidades. É o caso da Audi. A marca alemã apresentou a nova motorização 1.8 turbo TFSI, que passa a mover o A4 – tanto o sedã quanto a perua Avant – e o cupê de quatro portas A5 Sportback.

O novo motor se propõe a ser uma evolução em termos de eficiência energética em relação ao que era adotado no A4 e no A5 – um 2.0 TFSI de 180 cv. A proposta do atual propulsor – que segue as normas de emissão de poluentes Euro 6 – é oferecer desempenho similar ao anterior, mas com redução no consumo de combustível e nas emissões. Para obter esse resultado, o 1.8 TFSI combina uma injeção direta FSI com uma injeção indireta MPI – que é usada em situações de utilização parcial, reduzindo consumo e emissões. Quando o acelerador é solicitado mais fortemente, a injeção direta é ativada.

O peso do “powertrain” foi reduzido em 3,5 kg, e ambos os modelos incorporam agora a função start-stop, que desliga o motor quando o carro é parado e religa automaticamente quando o motorista libera o pedal do freio. Segundo a Audi, os novos sistemas permitem economia de combustível da ordem de 21%.

Embora tenha potência máxima 10 cv menor que o antigo – atinge 170 cv –, o torque máximo ficou nos mesmos 32,6 kgfm. Só que agora chega um pouco mais cedo, já em 1.400 rpm. Antes, surgia em 1.500 giros e permanecia disponível até 3.900 rpm – no motor novo, fica disponível até as 3.700 rotações. No desempenho, os números da motorização antiga e da atual ficam praticamente iguais. No A4, o 0 a 100 km/h agora é feito em 8,3 s – antes, eram 8,2 s. A velocidade final, que era de 226 km/h, agora fica em 225 km/h. Já no A5, o 0 a 100 km/h caiu de 8,6 segundos para 8,4 s. E a final caiu de 222 km/h para 220 km/h. Ou seja, segundo a Audi, uma considerável redução em termos de consumo e emissões gerou mínimas variações de performance. O câmbio continua a ser o continuamente variável (CVT) Multitronic, com oito marchas simuladas, tanto no A4 quanto no A5. E a tração permanece dianteira.

Além do 1.8 TFSI e do start-stop, as demais novidades no A4 e no A5 são bastante pontuais. O A4 incorpora agora sensor de estacionamento traseiro, sensor de luz e chuva, novos frisos nos vidros e rodas aro 18 na versão top Ambiente. Por dentro, o maior diferencial do sedã é o volante multifuncional com aletas para trocas de marchas, que agora tem a mesma base aplanada das versões esportivas RS da própria Audi. Já no A5, o volante continua redondo, e as rodas são sempre de 17 polegadas, mas o modelo oferece na versão Ambiente o rádio MMI Plus com sistema de navegação e o Audi Connect, que disponibiliza várias funções de informação e entretenimento. O sistema ainda oferece Wi-Fi a bordo, que permite conectar à internet dispositivos móveis, além de ter um disco rígido com capacidade para 20 GB.

Impressões

O teste de apresentação do sedã A4 e do cupê A5 foi realizado em um circuito de 150 km, entre São Paulo e a cidade de Itupeva, pela rodovia dos Bandeirantes. Ao longo da avaliação dinâmica, os dois modelos mostraram mais semelhanças do que diferenças. O que não é de se estranhar, já que o sedã A4 e o A5, grosso modo, são o mesmo carro. Partilham plataforma, trem de força e partes da carroceria e do interior. Se diferenciam nos detalhes e nos ajustes, desenvolvidos de forma diferenciada para atender diferentes consumidores.

No caso do sedã, foram privilegiados fatores como conforto e isolamento acústico. Assim, a suspensão é mais macia, e o som vindo do motor chega bem atenuado no habitáculo. Já no A5, a própria carroceria Sportback – no qual a tampa do porta-malas dá acesso à cabine – favorece que o modelo seja um pouco mais rumoroso. O que não chega a incomodar tanto num veículo de proposta mais esportiva, em que o som do ronco do motor normalmente tem um efeito estimulante sobre o motorista. O próprio sistema de escape do cupê tem um desenho diferente, que ajuda a produzir uma sonorização mais instigante, que amplia a percepção de esportividade.

Dinamicamente, as diferenças entre os dois modelos são bastante sutis. A altura reduzida – é quase 4 cm mais baixo que o A4 – e o melhor perfil aerodinâmico proporcionado pela carroceria, aliados a ligeiros ajustes no câmbio CVT do cupê, dão ao A5 uma sensação de esportividade maior que a do sedã, embora as performances dos dois modelos sejam praticamente idênticas – 0 a 100 km/h em 8,3 s no sedã e 8,4 s no cupê. A velocidade final é também quase igual – 225 km/h no A4 e 220 km/h do A5. Isso apesar dos 55 kg a mais que o A5 pesa em relação ao A4 – são 1.525 kg no cupê e 1.470 kg no sedã. Ou seja, a melhor aerodinâmica do A5 quase compensa seu peso superior e equilibra bastante a disputa entre os dois Audi. Em ambos os modelos, o novo motor 1.8 turbo TFSI foi bem-vindo. O propulsor 1.8 turbinado se revela bastante elástico e bem-entrosado com o câmbio CVT.

Um detalhe que faz uma diferença positiva para o A5 em termos dinâmicos está no ajuste da suspensão. O conjunto mais rígido, combinado com a altura um pouco menor, dá ao cupê Sportback um comportamento mais instigante nas curvas feitas em alta velocidade, já que o carro aderna ligeiramente menos – embora ambos sejam bastante equilibrados e transmitam sensação de confiabilidade.

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