Os bandidos que adoramos amar

Cada vez mais comuns nas séries, criminosos ganham a torcida do público

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

A bela de “Scandal” até parece boazinha, mas frauda uma eleição
Abc / divulgação
A bela de “Scandal” até parece boazinha, mas frauda uma eleição

Não é novidade que a bandidagem rola solta nas séries, trazendo uma geração de ladrões, estelionatários e assassinos como protagonistas. Em 1999, por exemplo, “The Sopranos” comoveu milhares de espectadores com a história da família de um mafioso ítalo-americano. Desde então, o número de bandidos parece crescer nesse tipo de shows, assim como a aprovação deles pelo público.

Frank Underwood (Kevin Spacey), de “House of Cards”, talvez seja o personagem no ar que melhor representa esse filão. Depois de duas temporadas – a terceira será “liberada” pela Netflix no próximo dia 27 –, o congressista norte-americano já provou que é capaz de tudo para conseguir seus objetivos, inclusive matar.

Mas, embora a relação com sua mulher, interpretada pela ótima Robin Wright, baseada na busca pelo poder e na dependência psicológica, descobre-se em cenas instigantes que o personagem de Spacey foi levado por um caminho demasiadamente fantasioso. E, em tempos de “True Detective”, esse pode ser um caminho perigoso.

Mas, até o momento, isso não parece ser um problema. Com texto envolvente e com a atuação sólida e carismática de Spacey, a série laça o espectador em uma trama que o leva, mesmo sem perceber, a torcer pelo vilão. Por isso, não se sinta mal se, depois de assistir à primeira temporada de “House of Cards”, se pegar querendo que algum mocinho morra para dar passagem ao desejo do protagonista. Você não será o único.

O mesmo efeito acontece no recém-terminado “Sons of Anarchy”, que traz não só um personagem, mas uma gangue inteira de motoqueiros que, durante sete temporadas, traficaram armas e drogas e mataram centenas pessoas das mais variadas formas (e com poucos cortes nessas cenas).

Exibida pelo FX, a série viveu uma situação contrária à de “House of Cards”: o roteiro exigia muito do público, já a atuação do protagonista, Jax Teller (Charlie Hunnam), chegava a ser embaraçosa.

Nessa seara várias outras séries se destacam, no entanto. Há o ovacionado “Breaking Bad”, em que o professor de química começa a produzir e traficar drogas. Vencedora do Globo de Ouro, a trama explorou a violência e é responsável pelo spin-off mais aguardado desta temporada, “Better Call Saul”, que estreia neste domingo.

Já em “Damages”, Patty Hewes (Glenn Close) interpreta uma advogada que não se importa com quais meios precisa utilizar para prender empresários e políticos corruptos.

Elas. No mundo de Shonda Rimes, há dois bons exemplos femininos: em “Scandal” a guerreira Olivia Pope (Kerry Washington) simplesmente frauda uma eleição presidencial dos Estados Unidos, enquanto a advogada-trator Annalise Keating (Viola Davis) burla a lei para defender seus próprios interesses em “How to Get Away with Muder”.

Mas é “Orange Is the New Black” que tem o maior número de mulheres bandidas e queridas pelo público. A série traz o dia a dia de uma penitenciária feminina e, paralelamente, os crimes que as detentas cometeram. Dessa forma, mostra que, mesmo que todas as personagens estejam ali para fazer comédia, nenhuma delas é santa.

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