Petrobras sobe 15%, maior alta desde 1998, com possível saída de Graça

As ações ordinárias fecharam em alta de 14,23%, para R$ 9,79, maior valorização diária desde 6 de março de 2013, quando os papéis avançaram 15,16%

iG Minas Gerais | Folhapress |

Graça Foster vai ao Senado terça-feira falar sobre denúncias contra Petrobras
Antonio Cruz/ABr - 22.5.2013
Graça Foster vai ao Senado terça-feira falar sobre denúncias contra Petrobras

As ações da Petrobras registraram a maior alta diária desde setembro de 1998 com a expectativa em torno da saída de Graça Foster do comando da estatal, conforme apurou a reportagem nesta terça-feira (3).

Os papéis preferenciais da petrolífera subiram 15,47%, para R$ 10, maior alta percentual diária desde 15 de setembro de 1998, quando as ações subiram 18,10%, para R$ 1,875.

As ações ordinárias fecharam em alta de 14,23%, para R$ 9,79, maior valorização diária desde 6 de março de 2013, quando os papéis avançaram 15,16%.

A valorização desta terça (3) também foi a maior em um único dia desde 2000, quando foi instituído o Novo Mercado (segmento da BM&FBovespa que aumentou as exigências de governança das empresas negociadas), embora a Petrobras não faça parte desse nicho.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em alta de 2,76%, para 48.963 pontos. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 7,3 bilhões, acima da média diária negociada no ano, que é de R$ 6,314 bilhões, até o dia 2 de fevereiro. Das 68 ações, 51 subiram, 16 caíam e uma se manteve inalterada.

A forte alta nas ações da Petrobras foi provocada pela informação de que o Planalto teria decidido substituir Graça Foster à frente da presidência da estatal.

A avaliação do governo é de que a posição da atual presidente da Petrobras é insustentável diante do escândalo de corrupção que atinge a empresa.

Para Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos, a informação guiou a forte alta na cotação dos papéis da empresa. "Há uma expectativa de reestruturação, que deve passar pela mudança de gestação e pela nomeação de executivos menos ligados ao governo e mais associados ao mercado, o que traz um fôlego novo às ações da estatal", diz.

A notícia da saída de Graça ofuscou o rebaixamento da nota da estatal pela agência de classificação de risco Fitch, anunciada na tarde desta terça-feira (3).

A agência citou a "crescente e prolongada incerteza" em relação à habilidade de a empresa estimar as perdas decorrentes de corrupção. O rebaixamento, segundo a Fitch, afeta diretamente cerca de US$ 50 bilhões em dívida emitida pela empresa. Foram rebaixados de BBB para BBB-, o último degrau considerado grau de investimento, espécie de selo de bom pagador para sua dívida.

BALANÇO

Outra notícia que ajudou a sustentar a alta da Bolsa nesta terça-feira foi o resultado do Itaú Unibanco, que superou as expectativas do mercado. O banco teve lucro líquido de R$ 20,242 bilhões em 2014, crescimento de 29% em relação ao ano anterior, quando o banco lucrou R$ 15,696 bilhões. No quarto trimestre do ano, o Itaú teve lucro de R$ 5,520 bilhões, alta de 2,15% em relação aos R$ 5,404 bilhões registrados nos três meses anteriores.

"O resultado do banco foi extremamente sólido, merece um prêmio em relação a seus pares. Mesmo com a piora da economia, o banco mostrou uma tendência muito positiva", avalia Pereira, da Guide. "O banco se mostrou cauteloso com a concessão de crédito, o que se mostrou uma decisão acertada, mantendo o seu nível de rentabilidade elevado", completa.

As ações do Itaú encerraram o dia com alta de 2,79%, para R$ 34,25. Na esteira da valorização, os papéis do Bradesco fecharam com avanço de 3,64%, para R$ 35,32.

Os papéis da Vale fecharam em alta pelo terceiro pregão seguido. As ações preferenciais da mineradora subiram 4,82%, para R$ 18,05. Os papéis ordinários avançaram 5,72%, para R$ 20,87.

Já as elétricas se beneficiaram da decisão da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) de aprovar o reajuste de tarifas de distribuidoras. As ações preferenciais da Eletrobras subiram 3,54%, para R$ 6,43. Os papéis ordinários fecharam em alta de 3,68%, para R$ 5,35.

CÂMBIO

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou estável em relação ao real, cotado a R$ 2,708. O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, caiu 0,77%, para R$ 2,694.

A moeda americana se beneficiou da melhora do clima de aversão ao risco, após a Grécia ter proposto como solução ao impasse com seus credores a troca da dívida por títulos indexados ao crescimento. As propostas contrastam com as estridentes promessas do governo na semana passada de abandonar as árduas condições de austeridade impostas sob o atual programa de resgate.

Na manhã desta terça (3), o BC deu continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio, ofertando até 2.000 contratos de swap cambial (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Foram vendidos 200 contratos para 1º de dezembro e 1.800 para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente de US$ 97,9 milhões.

O BC também vendeu a oferta integral de até 13.000 contratos de swap para rolagem dos que vencem em 2 de março, equivalentes a US$ 10,438 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 12% do lote total.

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