Campanha questiona medidas emergenciais adotadas para a crise hídrica

Grupo se reunirá neste sábado (7) para discutir sobre os reais culpados pela crise e apontar propostas para tentar mudar a forma como as águas estão sendo geridas

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Baixo. Nível do reservatório de Furnas continuou a cair, mesmo com as chuvas em Minas Gerais
Venicio Scatolino/Jornal dos Lagos/21/1/2015
Baixo. Nível do reservatório de Furnas continuou a cair, mesmo com as chuvas em Minas Gerais

O pedido feito pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para que a população economizasse cerca de 30% da água sob ameaça de multa para o excesso de consumo, foi o estopim para o movimento chamado "A culpa não é do meu banho", que surgiu da força das redes sociais.

Idealizada pelo ambientalista e coordenador do projeto Manuelzão, Apolo Heringer Lisboa, a campanha tem o objetivo de pressionar o Governo de Minas a revisar as medidas que vem sendo adotadas para economia de água, já que elas estão focando especialmente na população, que seria responsável por apenas cerca de 21% do uso da água captada.

"Há mais de um ano venho usando o Facebook como um instrumento válido de informação. Com a chegada dessa crise hídrica, eu e pessoas que sempre discutem o assunto por lá acabamos criando esse grupo que, embora seja formado principalmente por mineiros de todas as regiões, conta também com pessoas de várias partes do Brasil", explicou.

Para o ambientalista, as primeiras atitudes do governador Fernando Pimentel (PT) o deixaram alarmado, já que não foi feito um diagnóstico preciso do que estaria causando a crise, mas sim foram apresentadas propostas de soluções, como a transposição do rio Paraopeba para abastecer o reservatório Rio Manso.

"Dizem que vão retirar 5m³/s do rio, mas ele está secando. Não basta simplesmente fazer essa obra, tem que saber o potencial hídrico do Paraopeba, do rio das Velhas, e com isso decidir a quantidade de água a ser retirada", defendeu Heringer.

Para ele, o principal ponto para alterar este quadro de falta de água que vivemos ainda não foi citado pela nova administração estadual. "Ameaçaram até multar o desperdício, mas não falaram nada sobre as outorgas de captação de água para o agronegócio, as mineradoras. Não se fala em multá-las pelo excesso ou aumentar a cobrança", alerta o ambientalista.

Atualmente, das 36 bacias hidrográficas do Estado apenas 11 cobram pela água captada. A questão é que o preço cobrado varia de R$ 0,01 a R$ 0,028 por m³ (1.000 litros). "Tendo essa grande quantidade de água praticamente sem gasto nenhum, que investimento essas empresas farão visando reduzir o consumo? Isso é antieconômico", garante.

Apolo ainda denuncia que nenhum ambientalista foi consultado sobre as medidas a serem adotadas e que até hoje o Governo de Minas não tem um secretário de Meio Ambiente. Questionada pela reportagem, a secretaria informou que o deputado Sávio Souza Cruz (PMDB) pediu um prazo maior para ser empossado.

Primeiro encontro

O ponta-pé inicial do movimento "A culpa não é do meu banho" será dado neste sábado (7), quando acontecerá a primeira reunião dos envolvidos. "Será feita uma discussão sobre a verdadeira raiz da crise, já que estão acusando a falta de chuva. A estiagem foi, na verdade, apenas a gota d'água a menos. Tudo isso era previsível, já que não se pode confiar no clima. Desde que o mundo existe tem época de seca e de chuva. No Egito antigo também havia escassez de água e não era o fim do mundo, construíram uma civilização assim", argumenta.

Os participantes poderão apresentar ideias e propostas para ajudar no combate à crise hídrica de forma consciente e apontando os verdadeiros responsáveis. O encontro está marcado para acontecer entre 9H30 e 12h30 no auditório da Casa Fiat de Cultura, o antigo Palácio dos Despachos, na praça da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Um evento foi criado no Facebook para este primeiro encontro e pode ser acessado clicando AQUI.