Jornalista renuncia à nacionalidade egípcia e pode ser libertado

Ex-chefe de redação do canal no Cairo, Mohammed Fahmy, também tem nacionalidade canadense, está há 402 dias preso no Egito

iG Minas Gerais | Folhapress |

Mohamed Fahmy foi julgado por suposto apoio à Irmandade Muçulmana, em junho de 2014, no Egito
AFP PHOTO / KHALED DESOUKI
Mohamed Fahmy foi julgado por suposto apoio à Irmandade Muçulmana, em junho de 2014, no Egito

 A rede de televisão Al Jazeera, do Qatar, informou nesta terça (3) que o ex-chefe de redação do canal no Cairo Mohammed Fahmy renunciou à nacionalidade egípcia, o que pode abrir caminho à sua deportação.

Fahmy, que também tem nacionalidade canadense, está há 402 dias preso no Egito. Ele foi detido junto com os colegas Baher Mohammed e Peter Greste. O último, que é australiano, foi libertado e extraditado no último domingo (1º).

Os três foram condenados de sete a dez anos de prisão em junho de 2014 por trabalhar de forma ilegal no Egito e de falsificar informações sobre a repressão aos protestos do movimento Irmandade Muçulmana em agosto de 2013.

A repressão às manifestações contra a deposição do presidente islamita Mohammed Mursi, feita por militares em julho do mesmo ano, deixou mais de 1.200 mortos em dois meses.

Segundo a Al Jazeera, a renúncia à nacionalidade foi autorizada pelo Ministério do Interior. Com isso, ele se enquadra em um decreto presidencial que autoriza a deportação de estrangeiros condenados pela Justiça do Egito.

Foi devido a esta norma que o australiano Peter Greste foi libertado. Na noite de segunda-feira (2), o chanceler do Canadá, John Baird, disse que a libertação de Fahmy era iminente, já que o preso havia entrado com o pedido de renúncia.

Baird, no entanto, não disse quando a libertação poderia ocorrer. As autoridades do Egito ainda não se pronunciaram sobre a possível libertação do ex-chefe de redação da Al Jazeera.