Cuidado, você pode estar sendo observado

Dependendo do nível do assédio, fixação pode ser vista como crime

iG Minas Gerais | Lucas Buzatti |


Série norte-americana leva para a ficção as ações de stalkers
Divulgacao / Universal
Série norte-americana leva para a ficção as ações de stalkers

Tudo começa com um encantamento, mas o sentimento dá espaço à fixação. Um admirador das redes sociais pode virar perseguidor na vida real. Essa é a definição de “stalker” e, basta perguntar aos amigos quem já foi “stalkeado” ou já “stalkeou” para perceber que a perseguição obsessiva, principalmente na internet, é cada vez mais comum.

Mas ela pode acontecer em diferentes níveis, desde a curiosidade inofensiva até a agressão física, como no caso da tradutora e intérprete Maira Guarabyra, 37. “Minha stalker era a ex do meu namorado da época. Quando ficamos juntos, ela não quis admitir, enlouqueceu. Ficava ligando para a casa da minha mãe e dizendo que ia mandar me matar. Era época de Orkut, de blog. Ela enchia a caixa de comentários com ódio, inventava várias coisas sobre mim. Tive que tirar a ferramenta de comentários”, conta.

As ameaças ficaram ainda mais reais e perigosas quando a stalker de Maira a encontrou em uma festa no Rio de Janeiro. “Era fim de ano, cheguei toda ‘paz e amor’, dando ‘feliz Ano-Novo para todos, e ela disse que aquilo era uma provocação, que eu a estava chamando para brigar. E veio para cima de mim. Só aí pude fazer algo, ir ao IML e tudo mais. Mas, na época, dispensaram as provas online porque não era crime de internet, o que para mim não faz o menor sentido”, critica.

As motivações que levam uma pessoa a stalkear outra são diversas. No caso da estudante de arquitetura Laura Campos, 22, o perseguidor apareceu pelas redes sociais a fim de estreitar relações. “No início, eu não sabia quem era. Hoje, eu sei. Sempre que me vê nos lugares, ele fica me observando. Mas só vem falar comigo no Facebook, e eu corto direto”, diz.

Também estudante de arquitetura, Luiza Pontes, 26, admite que já stalkeou pessoas que achava interessantes, e acha que a perseguição, enquanto se mantém no plano virtual, é fácil de lidar. “É muito comum, todo mundo tem acesso a sua intimidade, as suas rotinas. Agora, se a pessoa ficar indo ao meu trabalho, aos lugares que eu frequento, vou morrer de medo”, pondera.

Ela defende que um bom jeito de se policiar quanto a esse comportamento é observar o tempo gasto em determinado perfil. “Quando fico muito tempo no perfil de alguém, paro e penso. ‘Meu Deus, filha, para com isso’. Aí eu paro. Dependendo, até deleto a pessoa para não ficar vendo”, brinca.

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