Igam tem 82 profissionais para gerir todas as bacias do Estado

São dois servidores para cada local; número é apontado como causa para falhas de gestão das águas

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Abaixo do normal. Nível dos cursos d’água em Minas Gerais preocupa
Daniel de cerqueira - 29.1.2015
Abaixo do normal. Nível dos cursos d’água em Minas Gerais preocupa

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) tem 82 profissionais em campo responsáveis por cuidar das 36 bacias hidrográficas do Estado – uma média de dois funcionários para cada uma delas. A relação é considerada baixa por especialistas na área, que ligam essa e outras deficiências do órgão à falta de água em Minas Gerais, que já foi chamada de caixa-d’água do país. O problema estaria menos ligado à seca prolongada e mais relacionado a falhas de gestão, causadas em grande parte por falta de estrutura e de pessoal. “O Igam é totalmente deficiente pelo tamanho do Estado e das bacias. Isso é um dos fatores que causaram a crise de gestão hídrica. O instituto precisava ter uma estrutura politicamente muito maior que a de hoje, que é insuficiente para suprir a demanda que temos”, destacou o presidente do Comitê da Bacia do Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano. As consequências de uma estrutura insuficiente, na avaliação dos estudiosos, têm sido a falta de um monitoramento eficaz das águas de Minas, a ausência de um sistema de zoneamento dos recursos hídricos e a consequente falta de controle da quantidade de água retirada dos mananciais (outorgadas) e do que se tem disponível. Questionado sobre essas deficiências, o Igam informou , em nota, que “busca constantemente otimizar suas ações para prestar o melhor serviço à sociedade”. Hoje, o Igam está presente em quatro núcleos regionais, nos municípios de Montes Claros, no Norte de Minas, Divinópolis, no Centro-Oeste, Governador Valadares, no Rio Doce, e Juiz de Fora, na Zona da Mata. O coordenador do Laboratório de Gestão de Reservatórios da Universidade Federal de Minas (UFMG), Ricardo Motta, acredita que o órgão deveria estar presente em mais pontos do Estado para entender bem as diversidades regionais. “Em um Estado com território e bacias tão extensas, as entidades que cuidam do meio ambiente deveriam ser muito bem estabelecidas. O Igam não tem a estrutura ideal para a importância das águas de Minas. A frequência do monitoramento ambiental é baixa, e os reservatórios deveriam ser intensamente monitorados”. Erro. Pelo menos 63 municípios do Estado enfrentam hoje algum tipo de racionamento. Para o doutorando em recursos hídricos da UFMG Rodrigo Lemos, há algum problema grave no Igam, que “não conseguiu cumprir prerrogativas básicas, como saber quanto está saindo de água e quanto está entrando”. Segundo ele, o Igam foi sucateado, e o Estado não quis encarar que não tem água abundante para todos os níveis de interesses. “O órgão de gestão não ter controle dessas situação é muito sério. Evitamos esse problema por muito tempo. Subordinamos a água à lógica política. Agora, o usuário da Copasa está pagando por esse erro”, completou Lemos. 

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