Postos repassam muito mais do que reajuste de tributos

Em Belo Horizonte, posto da região Centro-Sul chegou a reajustar combustível em mais de 12%

iG Minas Gerais | Angélica Diniz |

Mecânico Jean Anatólio estava revoltado com preço de R$ 3,05
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Mecânico Jean Anatólio estava revoltado com preço de R$ 3,05

Proprietários de postos de combustíveis da região metropolitana de Belo Horizonte extrapolaram e pesaram a mão. Eles repassaram para os preços da gasolina muito mais do que o aumento da alíquota do PIS/Cofins que passou a vigorar no dia 1º. A alta do tributo sobre os combustíveis representa, segundo o governo, um reajuste de R$ 0,22 para o litro da gasolina e R$ 0,15 para o do diesel, mas postos em Belo Horizonte estão cobrando até R$ 0,35 a mais do consumidor por litro de combustível.

Resultado: a corrida pelos postos de gasolina que cobravam um valor mais barato intensificou-se ontem, primeiro dia útil em que passou a vigorar a alta dos tributos. Houve grandes filas nesses estabelecimentos ontem.

Até o dia 31 de janeiro, segundo pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina na capital era de R$ 2,90. Já o mínimo era R$ 2,76, e o preço máximo chegava a R$ 3,09. Agora, o litro pode chegar entre R$ 2,98 a R$ 3,31.

Estabelecimentos na região Centro-Sul ostentam os maiores preços. Um deles, que cobrava R$ 2,89 passou para R$ 3,24 – reajuste de 12,07%. Outro, na região Norte, reajustou a gasolina de R$ 2,99 para R$ 3,29. O preço do diesel passou de R$ 2,78 para R$ 2,849.

O técnico em mecânica Reginaldo Antônio, 40, soube no domingo do aumento. Ontem, ao chegar ao estabelecimento para abastecer, encontrou um aumento de 9,09%. “No posto onde costumo ir, a gasolina estava R$ 2,74 na semana passada. Hoje corri para abastecer logo cedo e levei um susto. Passou para R$ 2,99”.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Minas Gerais (Minaspetro) salienta que o preço no mercado de combustíveis é livre e ditado pela concorrência. Cabe exclusivamente aos donos definirem como e quando aplicarão ao consumidor final os reajustes que são repassados a eles pelas distribuidoras. “Reforçamos que o preço nas bombas estão diretamente atrelados aos preços das distribuidoras, já que os postos representam o último elo da cadeia de combustíveis”, disse em nota.

Já o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda, alerta para o abuso, inclusive, do repasse de R$ 0,22 pelas distribuidoras. Isso porque a gasolina vendida nas bombas possui 25% do álcool anidro, que não teve reajuste. “Na realidade, o aumento da tributação deveria ser em cima dos 75% da gasolina, que representam cerca de R$ 0,16”, explica ele.

Revoltado com os altos preços, o mecânico Jean Anatólio, 29, chegou a um posto na Via Expressa no momento em que a placa de R$ 2,88 era alterada para R$ 3,05. “O consumidor é quem mais está sendo lesado com o reajuste excessivo. E tenho observado que os preços crescem a cada semana. Já vi postos cobrando até R$ 3,33”, reclama o mecânico.

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