Dilma perde e assedia Cunha

Após derrota, presidente liga para peemedebista, e ministro diz que gestão será ‘harmoniosa’

iG Minas Gerais |

Discreto. Eduardo Cunha conversou com Dilma, mas não disse o teor, apenas revelou que ela foi “gentil”
LAYCER TOMAZ
Discreto. Eduardo Cunha conversou com Dilma, mas não disse o teor, apenas revelou que ela foi “gentil”

Brasília. Um dia após a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados, o governo procurou o peemedebista para começar o processo de reaproximação. Considerado um aliado pouco confiável, Cunha enfrentou na disputa uma operação patrocinada pelo Planalto contra a sua candidatura. Apesar de ter deixado clara sua insatisfação com a ação, ele assumiu o novo posto dizendo que não pretender fazer retaliações.

De acordo com o peemedebista, a presidente Dilma Rousseff lhe telefonou para cumprimentá-lo. “Foi uma conversa amistosa. Ela foi gentil, sempre me tratou com gentileza”, limitou-se a dizer.

Outro que o procurou foi o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, mas Cunha afirmou que não pôde atender essa ligação e que conversaria com ele em breve.

Cunha também se encontrou com o vice-presidente da República, Michel Temer, um dos caciques do PMDB, que será o principal responsável pela interlocução do Planalto com o novo presidente da Câmara.

Segundo pessoas próximas do peemedebista, sua intenção agora é desanuviar o clima de beligerância causado pela disputa do comando da Câmara.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, minimizou os efeitos negativos da eleição de Cunha para o Planalto. Para o ministro, o peemedebista fará uma gestão “excelente” e “harmoniosa” com o Executivo.

Questionado sobre o fato de seu partido, o PT, ter ficado sem cargos na Mesa Diretora da Câmara, Cardozo comentou que governo conseguirá manter uma relação harmônica com o Legislativo. “O governo já teve muitas vezes a convivência absolutamente harmônica com o Legislativo sem ter um petista na Mesa”, disse.

Análise. Para o diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Aldo Fornazieri, o governo cometeu um “erro de origem ao partir para o enfrentamento” com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Para o partido que tem o governo e não consegue se articular, vai para o confronto e é derrotado como foi, a derrota é muito grave e demonstra as falhas no sistema de articulação política tanto do governo quanto do PT”, avalia Fornazieri.

Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, o governo entrou de “salto alto” na disputa e demonstrou “soberba”. “O governo fez uma leitura errada da realidade. Agora é que o custo da negociação na Câmara ficará muito mais alto. A base vai exigir muito mais”, diz.

Desafeto

Jogo. O ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, afirmou que Cunha não é um desafeto do governo. “Na maior parte das votações ele votou junto com o governo, não 100%”, disse.

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