Governo grego recebe um apoio crescente à renegociação da dívida

A dívida pública grega representa em torno de 175% de seu Produto Interno Bruto (PIB)

iG Minas Gerais | AFP |

Vários ganhadores do Nobel de Economia e até o presidente americano, Barack Obama, manifestaram seu apoio aos postulados das novas autoridades gregas de renegociar a dívida e enterrar a austeridade, mas alguns advertem para o efeito bola de neve para a Europa.

O novo governo de Alexis Tsipras, do partido de esquerda radical Syriza, recebeu no domingo um apoio de peso: o presidente americano.

"Não se pode continuar pressionando os países que estão em meio à depressão", disse Obama à rede de televisão CNN.

"Em algum momento deve haver uma estratégia de crescimento para que (a Grécia) pague suas dívidas e elimine parte de seu déficit", acrescentou.

A dívida pública grega representa em torno de 175% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Isso significa que o país teria que destinar toda a riqueza gerada por sua economia durante quase dois anos para pagá-la. Essa proporção assusta os mercados e impede que Atenas acesse aos mercados de maneira autônoma.

Tanto para Obama como para numerosos economistas, o mais eficaz para reduzir essa proporção dívida/PIB é o forte crescimento econômico.

'Trabalho de Sísifo'

Exigir anualmente de Atenas um superávit primário (que exclui o pagamento da dívida) equivalente a 4,5% do PIB, às custas de sacrifícios sociais, é "um trabalho de Sísifo", escreveu recentemente o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman.

Sísifo, o personagem mitológico condenado por ter desafiado os deuses, a empurrar por toda a eternidade uma grande pedra até o alto de uma montanha. Toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido.

"A boa estratégia para Sísifo é parar de empurrar sua pedra, não subi-la até o alto da montanha", alegou o ministro da Economia grego Yanis Varoufakis nesta segunda-feira, em declarações ao jornal francês Le Monde.

O FMI, que reconhece ter subestimado os efeitos perniciosos da austeridade orçamentária, reconheceu em junho que "manter um superávit de 4% do PIB durante vários anos pode ser complicado".

Em 22 de janeiro, três dias antes da histórica vitória eleitoral do Syriza, 18 economistas de renome, entre eles os prêmio Nobel Joseph Stiglitz e Christopher Pissarides, pediram no Financial Times "um recomeço" para a Grécia.

Pediram também o "perdão da dívida, em particular a bilateral" (da Grécia com os Estados credores), uma moratória ao pagamento dos juros, "uma quantidade significativa de dinheiro" para financiar grandes investimentos e importantes reformas na Grécia, sobretudo para consolidar a arrecadação de impostos.

Xavier Timbeau, do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas, não é partidário de uma "grande conferência destinada a perdoar parte da dívida grega".

A Grécia já se beneficia de uma moratória dos juros que deve ao fundo europeu FEEF, que lhe emprestou cerca de 140 bilhões de euros. A dívida total do país supera os 315 bilhões de euros.

Outro dado que faz que os economistas sejam partidários da concessão de um alívio à Grécia é a queda dos preços no país, o que tende a elevar sua dívida em relação ao PIB.

"São necessários de 50 a 60 anos para reembolsar os 200% do PIB, se não houver inflação", disse recentemente Thomas Piketty, autor do best seller de economia "O capital no século XXI" e a favor de uma reestruturação da dívida grega.

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