Evento combina mostra a crítica e pensamento

Além de produções convidadas, aliás, a mostra inclui uma coprodução entre a MITsp e o grupo holandês Toneelgroep Amsterdam

iG Minas Gerais | daniel toledo |

“E se elas fossem pra Moscou?” representa o Brasil no evento
Photographer:Bruno Tetto
“E se elas fossem pra Moscou?” representa o Brasil no evento

Para surpresa de muita gente, Antônio Araújo esclarece que as primeiras ideias sobre a MITsp surgiram em Belo Horizonte. Foi em 2011, durante a última edição do Encontro Mundial das Artes Cênicas (Ecum), que ele e Guilherme Marques – diretor do evento – enxergaram pela primeira vez a perspectiva de realizar um festival internacional de teatro no país.

Talvez venha dali, inclusive, o interesse da dupla por expandir a atuação da MITsp para além de uma mostra de espetáculos. Se o Ecum podia ser descrito como um espaço de intercâmbio entre artistas, a MITsp não fica muito longe. “Desde a primeira edição, temos tratado os espaços de reflexão e o pensamento como elementos centrais do festival, constituindo um eixo tão importante quanto a mostra em si”, esclarece Araújo.

É nesse sentido, conta ele, que diversas ações têm sido elaboradas com a intenção de estimular uma postura mais ativa do público em relação à mostra de espetáculos. “Criamos situações para que os artistas reflitam diante do público sobre o próprio trabalho, assim como outras em que pesquisadores de todo o país são convidados a apresentar suas visões sobre os artistas e espetáculos que participam da mostra”, conta Araújo, que, além de diretor artístico do Teatro da Vertigem, é pesquisador vinculado à USP.

Também integra esse eixo reflexivo uma ação realizada em parceria com críticos independentes de teatro vindos de diversas partes do país. “Esses críticos foram convidados para escrever textos sobre os trabalhos, e os textos serão quase imediatamente encartados no jornalzinho que o público recebe. Com isso, o espectador vai ter pelo menos duas visões sobre cada espetáculo e, a partir dessas críticas, construir sua própria visão”, aposta, citando em seguida uma série de mesas-redondas em que serão discutidos temas explorados pelos espetáculos, como é o caso dos conflitos entre Rússia e Ucrânia, assim como Israel e Palestina.

“Nossa intenção é criar, de fato, uma atmosfera propícia ao pensamento, provocando o espectador e criando caminhos para que se estabeleçam relações mais profundas e transformadoras entre eles e os trabalhos que selecionamos”, sintetiza Guilherme Marques.

Além de produções convidadas, aliás, a mostra inclui uma coprodução entre a MITsp e o grupo holandês Toneelgroep Amsterdam. Criado especialmente para o festival, o espetáculo “Canção de Muito Longe” fará sua estreia mundial no Brasil, inaugurando um novo campo de atuação para uma mostra cujos desdobramentos sobre a cena local e nacional ainda são difíceis de prever.

“Quando criamos o Ecum, em 1998, Belo Horizonte ainda não tinha um curso superior em artes cênicas – e ele foi criado pela UFMG no ano seguinte ao evento. Felizmente, conseguimos fazer da MITsp um evento sem concessões, e esperamos que ela possa, de fato, estabelecer um forte diálogo com a cidade de São Paulo e produção teatral do país”, finaliza Marques.

Programação

“Canção de Muito Longe” (Holanda) “Opus nº7” (Rússia) “A Gaivota” (Rússia) “Woyzeck” (Ucrânia)

“Srta. Júlia” (Inglaterra)

“Stifters Dinge” (Alemanha)

“As Irmãs Macaluso” (Itália)

“Arquivo” (Israel)

“Júlia” (Brasil)

“E se Elas Fossem pra Moscou? (Brasil)

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